Uma empresa contratada pela Associação de Futebol Argentino (AFA) para gerenciar suas receitas globais nos últimos quatro anos, a TourProdEnter LLC, está sob escrutínio após a revelação de que milhões de dólares foram supostamente desviados para financiar um estilo de vida de luxo extravagante. Registros bancários detalhados indicam que os fundos da AFA, sob a gestão do presidente Claudio “Chiqui” Tapia, foram utilizados para adquirir e usufruir de uma vasta gama de bens e serviços de alto valor, incluindo jatos particulares, iates e residências exclusivas. Essa prática levanta sérias questões sobre a transparência e a alocação dos recursos da principal entidade do futebol argentino, impactando a percepção pública e a credibilidade da organização e seus dirigentes.
Gastos extravagantes e o destino dos fundos da AFA
Registros financeiros internos obtidos revelam um montante total de 16,6 milhões de dólares (equivalente a aproximadamente 90 milhões de reais) direcionados para cobrir despesas de alto padrão. Essa movimentação financeira substancial, atribuída à empresa TourProdEnter LLC, foi destinada a uma variedade de itens e serviços de luxo. A lista inclui a compra, manutenção ou usufruto de aviões particulares, iates de luxo, residências de veraneio exclusivas, carros de alta performance e karts, além de imóveis de luxo em locais privilegiados.
Além dos bens materiais, os recursos também foram utilizados para custear experiências e serviços pessoais de elevado custo. Entre eles, destacam-se passeios a cavalo, serviços de cabeleireiro e a aquisição de ingressos VIP para eventos teatrais. A diversidade e o caráter dessas despesas levantam questionamentos sobre sua pertinência para uma empresa que deveria estar focada na arrecadação de receitas para uma entidade esportiva de grande porte como a AFA. A natureza pessoal e suntuosa de muitos desses gastos contrasta com a finalidade pública e esportiva dos fundos geridos.
Picos de intensidade nos gastos e eventos de “super luxo”
A análise dos registros bancários demonstra que os gastos extravagantes da TourProdEnter LLC não foram constantes, mas registraram picos notáveis de intensidade em períodos específicos. Um exemplo marcante ocorreu entre abril e julho de 2023, meses que seguiram a euforia da vitória da seleção argentina na Copa do Mundo no Catar. Neste curto intervalo de três meses, uma parcela significativa dos recursos acumulados pela AFA foi direcionada para despesas de luxo.
Nesse período pós-Copa, foram desembolsados 49.800 dólares para cobrir serviços de equitação. Outros 76.000 dólares foram gastos no aluguel de uma casa em Ibiza, um conhecido destino de luxo. Somando-se a isso, 60.000 dólares foram alocados para o usufruto de um iate na mesma localidade. Posteriormente, os registros indicam outra viagem classificada como de “super luxo” pelo Mediterrâneo italiano, embora o valor específico dessa última não tenha sido detalhado nos documentos divulgados. Esses exemplos ilustram a escala e o caráter das despesas que supostamente utilizavam fundos originalmente destinados à Associação de Futebol Argentino.
Outras movimentações financeiras e a questão da transparência
Além dos gastos diretos com itens e serviços de luxo, os registros da TourProdEnter LLC também revelam outras movimentações financeiras de grande vulto. Informações apontam para transferências totalizando 42 milhões de dólares destinadas à esposa e a duas empresas ligadas a Pablo Toviggino, o tesoureiro da AFA. Essas transações adicionam uma camada de complexidade às investigações sobre a gestão dos fundos e a relação entre a empresa e os dirigentes da associação.
Outro ponto crítico levantado pelos registros internos é a ausência de informações claras sobre os beneficiários desses gastos. Não está especificado quem exatamente viajou nos voos privados pagos com fundos da AFA, nem quem usufruiu dos iates, residências de luxo ou outros serviços. Essa falta de detalhamento impede determinar se diretores da AFA, delegações esportivas ou até mesmo membros da seleção nacional, liderada por Lionel Messi, estavam entre os usuários desses privilégios. A ambiguidade sobre quem se beneficiou dessas despesas intensifica as preocupações com a falta de transparência e a prestação de contas.
Resposta da empresa e as implicações
Diante das revelações, os indivíduos e entidades envolvidas foram procurados para prestar esclarecimentos, mas optaram por não responder às indagações. Contudo, a TourProdEnter LLC emitiu um comunicado público. Na nota, a empresa enfatizou sua condição de entidade privada e autônoma, declarando que “administra seus fundos livremente e a seu critério, em conformidade com a legislação vigente do país de origem em matéria cambial, tributária e fiscal, como tem feito ao longo de sua história”.
Essa declaração, embora defenda a autonomia da empresa, não aborda diretamente a natureza dos gastos ou a conexão desses fundos com as receitas da AFA. As alegações de uso de recursos da associação em despesas pessoais e de luxo, somadas à falta de clareza sobre os beneficiários e às transferências significativas para pessoas ligadas à diretoria da AFA, impõem um desafio considerável à imagem e à governança da principal entidade do futebol argentino. A situação destaca a necessidade urgente de maior fiscalização e transparência na gestão dos recursos do esporte.
Perguntas frequentes (FAQ)
O que é a TourProdEnter LLC?
A TourProdEnter LLC é uma empresa contratada pela Associação de Futebol Argentino (AFA) com a responsabilidade de arrecadar as receitas globais da entidade ao longo dos últimos quatro anos.
Que tipo de despesas de luxo foram identificadas?
As despesas incluem a compra, manutenção e usufruto de jatos particulares, iates de luxo, residências de verão exclusivas, carros de alto valor, karts, imóveis de luxo, passeios a cavalo, serviços de cabeleireiro e ingressos VIP para teatros.
Qual o valor total das despesas extravagantes?
Os registros bancários indicam uma movimentação de 16,6 milhões de dólares para cobrir essas despesas, além de 42 milhões de dólares em transferências para a esposa e empresas ligadas ao tesoureiro da AFA.
A AFA ou seus dirigentes se pronunciaram sobre as alegações?
Os envolvidos, incluindo o presidente da AFA, Claudio “Chiqui” Tapia, e o tesoureiro Pablo Toviggino, recusaram-se a comentar. A TourProdEnter LLC emitiu um comunicado afirmando ser uma empresa privada autônoma que gere seus fundos livremente.
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Fonte: https://esporte.ig.com.br











