O ex-treinador da Seleção Brasileira, Dunga, que tomou a controversa decisão de não convocar Neymar para a Copa do Mundo de 2010, quando o craque iniciava seu auge com a camisa do Santos, agora se manifesta sobre a possível presença do camisa 10 no Mundial de 2026. Em uma reviravolta de perspectiva, Dunga revelou que, se estivesse na posição do atual técnico Carlo Ancelotti, levaria Neymar para a próxima Copa, mesmo com o jogador longe de sua melhor forma física, desde que uma condição crucial fosse atendida.
A condição para 2026: “No mínimo 80%”
Em entrevista ao podcast Duda Garbi, Dunga foi enfático ao abordar o potencial de Neymar para 2026. “Como jogador, como técnica? Não tem discussão. Não tem discussão. Quem vai dizer se ele vai pra Copa do Mundo ou não é ele”, afirmou o capitão do Tetra. Ele frisou que o principal critério seria a condição física. “Para ir para uma Copa do Mundo tem que estar no mínimo 80%, não digo nem 100, 80% um jogador da qualidade dele, porque tecnicamente é um espetáculo”, destacou Dunga.
O ex-treinador explicou a importância desse percentual físico. “Por que que ele tem que estar bem fisicamente? Porque para a técnica dele sobressair, ele tem que estar pelo menos 80%, para ele poder driblar, para ele dar uma arrancada, para não atropelarem ele toda hora”, detalhou, sugerindo que a excelência técnica de Neymar só pode ser plenamente explorada com um bom preparo físico.
Neymar na reserva? Dunga descarta
Um dos pontos levantados por Dunga na entrevista foi a ideia de levar Neymar para a Copa como opção de banco. O ex-jogador e ex-técnico da Seleção Brasileira é cético quanto a essa possibilidade. “Os caras falam: ‘Não, mas leva ele para ficar na reserva’. Não vai ficar na reserva, filho. O cara é competitivo. Ele é competitivo, ele gosta de ganhar, ele gosta de desafio, ele não vai aceitar”, disse Dunga, categórico.
Ele argumenta que nenhum atleta de alto nível, especialmente com o histórico e a ambição de Neymar, aceitaria um papel secundário em um torneio tão importante. “Quem é que quer ir numa Copa do Mundo e quer assistir? Ninguém. O cara quer jogar”, ponderou, acrescentando que a presença de Neymar no banco geraria uma pressão imensa. “Aí tu imagina, Copa do Mundo, 100 mil pessoas, o Brasil te olhando. Aí o cara erra uma jogada, olha pro banco, tá o Neymar”, ilustrou, destacando o impacto de sua presença.
A força do Brasil em 2026
Apesar das incertezas em torno da seleção brasileira para a Copa do Mundo de 2026, Dunga expressou otimismo quanto ao desempenho do time. “Eu acho. Eu joguei na seleção por muitos anos. Os caras metem o pau no Brasil. Mas quando começar o jogo e o Neymar der dois tapas o outro dar dois tapas, o cara meter um chute no gol, os caras vão falar: ‘ah meu Deus, lá vem eles’. Ai ganha uma, ganha duas. Mas depende do jogador em campo”, projetou, mostrando confiança no potencial reativo e na qualidade individual dos jogadores brasileiros.
A polêmica de 2010 revisitada
A defesa de Dunga em relação a Neymar para 2026 contrasta diretamente com sua decisão em 2010. Naquela época, Neymar já era um fenômeno no Santos, tendo mais de um ano como profissional e iniciando um período de auge que culminaria na conquista da Libertadores em 2011. Contudo, o então treinador da Seleção optou por não incluí-lo na lista final. A campanha brasileira no Mundial da África do Sul terminou nas quartas de final, com uma dolorosa virada sofrida para a Holanda após abrir o placar, deixando um gosto amargo e a dúvida sobre o que a presença do jovem craque poderia ter mudado.





