No dia 11 de novembro, o lendário Zico marcou um gol que ele mesmo considera o mais belo de sua carreira. Não foi pelo Flamengo, clube de sua vida, mas sim pelo Kashima Antlers, no Japão. O célebre “Gol Escorpião”, um malabarismo de calcanhar que encobriu o goleiro, simboliza a profunda conexão entre o futebol brasileiro e a Terra do Sol Nascente. Zico, que ajudou a construir a paixão pelo esporte no Japão, tornou-se um dos elos mais importantes entre os dois países, e sua história é fundamental para entender o próximo desafio da Seleção Brasileira na Copa do Mundo.
A Semente Brasileira no Sol Nascente
O impacto de Zico no futebol japonês abriu as portas para uma verdadeira “exportação” de talento brasileiro. Nos anos 90 e 2000, craques como Dunga, Bebeto, Jorginho, Zinho, César Sampaio e Leonardo, que também marcou um gol inesquecível pelo Kashima Antlers, brilharam por lá. Jogadores como Alcindo e Bismark optaram por carreiras mais longas no país oriental. No entanto, a figura de Ruy Ramos, o primeiro brasileiro a defender a Seleção do Japão entre 1990 e 1995, é emblemática. Com seu toque de bola refinado, Ramos, que chegou ao Japão em 1977 e vive em Tóquio até hoje, tornou-se uma lenda do Verdy Kawasaki, conquistando a Copa da Ásia em 92 e disputando 32 partidas pelos “Samurais Azuis”.
Craques e Treinadores Brasileiros Que Moldaram o Japão
Além dos jogadores, diversos treinadores brasileiros também deixaram sua marca, como Levir Culpi, Oswaldo de Oliveira, Toninho Cerezo, Nelsinho Baptista, Paulo Autuori, Jorginho e o próprio Zico. Esse intercâmbio intenso e contínuo é a base do sucesso japonês. Se o Japão disputou sua primeira Copa do Mundo em 1998 e, desde então, não ficou de fora de nenhuma edição, deve muito a essa troca de experiências com o futebol brasileiro.
O Discípulo Cresceu: Japão Chega Forte à Copa
O Japão de 2026 apresenta uma equipe organizada e talentosa. Na fase de grupos, jogou de igual para igual com a badalada Holanda, goleou a Tunísia e empatou com a Suécia, mostrando que não é mais um mero coadjuvante. Em um feito histórico, em outubro do ano anterior, os Samurais Azuis venceram o Brasil pela primeira vez em 14 confrontos desde 1989. No amistoso, a Seleção de Ancelotti abriu 2 a 0, mas sofreu a virada após uma falha do zagueiro Fabrício Bruno. O triunfo no Ajinomoto Stadium, em Tóquio, enlouqueceu a torcida e serve como um alerta para o próximo duelo.
A Lição do Mestre: Humildade e Evolução para o Brasil
Embora dolorosa, a derrota recente pode injetar doses cruciais de seriedade e humildade na Seleção Brasileira para o confronto da próxima segunda-feira. São ingredientes essenciais para um time que ainda está em evolução, aprendendo e se ajustando a cada jogo dentro da competição. A lição é clara: mesmo os maiores especialistas, como os brasileiros no futebol, podem cometer erros, pois ninguém é infalível. Como disse o escritor Guimarães Rosa: “Mestre não é quem sempre ensina, mas quem de repente aprende.” E, seguindo um famoso ditado japonês, “até os macacos caem das árvores”. O Brasil tem tudo para avançar de fase, mas não deve esperar um jogo fácil. A história está repleta de exemplos de discípulos que superaram seus mestres, e o Japão, agora, é um adversário à altura.




