Era 30 de junho de 2002. Em Yokohama, Japão, o apito final selava a vitória do Brasil por 2 a 0 sobre a Alemanha, com dois gols de Ronaldo. Cafu erguia a taça, e a Seleção Brasileira conquistava o pentacampeonato mundial. Vinte e quatro anos se passaram desde aquele momento glorioso, que permanece vivo na memória de cada torcedor. A celebração deste aniversário ganha um sabor especial, ocorrendo um dia após o Brasil avançar às oitavas de final da Copa do Mundo e a Alemanha, a então rival daquela final, ser eliminada do torneio. Seria este um sinal de que a estrela do Hexa brilhará no Mundial dos Estados Unidos, Canadá e México? A resposta a essa pergunta será escrita a cada passo da seleção, mantendo vivo o sonho do sexto título.
A Glória de 2002 e o Longo Jejum
A jornada até o Penta em 2002 foi marcada por desconfiança. O Brasil chegou ao Mundial após uma campanha difícil nas Eliminatórias, garantindo a vaga apenas na última rodada. O ciclo pré-Copa foi turbulento, com diversas trocas de treinadores – Leão, Luxemburgo e Candinho (interino) – até a chegada de Luiz Felipe Scolari. Sob o comando de Felipão, a equipe encontrou seu rumo. Após uma estreia complicada, a seleção ganhou corpo e confiança nos jogos de mata-mata, superando a Bélgica nas oitavas, a Inglaterra nas quartas, a Turquia na semifinal e, finalmente, conquistando a redenção contra a Alemanha na grande decisão. A festa, que não acontecia desde o Tetra em 1994, ecoou por todo o país, mas desde então, o jejum perdura.
O Caminho Atual no Mundial
No atual Mundial, o Brasil já superou o primeiro desafio eliminatório, vencendo o Japão – um dos países-sede do Penta – de virada. Agora, a seleção se prepara para as oitavas de final, onde enfrentará Noruega ou Costa do Marfim. O adversário será definido nesta terça-feira (30), em um duelo a ser disputado às 14h (de Brasília), em Dallas, nos Estados Unidos. A cada vitória, a equipe brasileira segue construindo sua trajetória, fase a fase, alimentando a esperança de um novo título mundial.
Coincidências de 2002 e o Sonho do Hexa
Assim como os 24 anos que separaram o Tri (1970) do Tetra (1994), o Penta de 2002 completa o mesmo período de diferença para 2026, ano em que o Brasil busca o Hexa. Diversos aspectos da campanha atual se assemelham ao cenário pré-2002, principalmente as trocas de treinador nas Eliminatórias. Antes da chegada de Ancelotti, a seleção foi comandada por Ramon Menezes (interino), Fernando Diniz e Dorival Júnior. A desconfiança inicial antes da Copa também se repetiu. Outra possível repetição seria um eventual confronto com a Inglaterra nas quartas de final, cenário que se concretizou em 2002, quando o Brasil venceu os ingleses de virada para avançar à semifinal. Caso o Brasil supere Noruega ou Costa do Marfim, a Inglaterra pode ser novamente a pedra no caminho antes da semi.
Rumo à Final: Possíveis Confrontos
Apesar das coincidências, a final de 2026 não poderá ser contra a Alemanha, que foi eliminada pelo Paraguai nos pênaltis na fase de 16 avos. Na história dos cinco títulos mundiais da seleção, apenas uma vez um adversário se repetiu em uma final: a Itália, em 1970 e 1994. Nos demais, os rivais foram inéditos: Suécia (1958), Tchecoslováquia (1962) e Alemanha (2002). Entre lembranças e prognósticos, o Brasil tenta, com um novo elenco e uma nova comissão técnica, construir um caminho vitorioso para quebrar o jejum de 24 anos e erguer novamente a taça da Copa do Mundo, transformando o sonho do Hexa em realidade.




