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A Rússia Ainda Manda no Xadrez Mundial? Eleição da FIDE

A rússia ainda manda no xadrez mundial? Eleição da fide

Apesar das sanções impostas ao esporte russo devido à guerra na Ucrânia, a influência da Rússia no xadrez mundial permanece um tema central, especialmente com a proximidade da eleição para a presidência da Federação Internacional de Xadrez (FIDE). O atual presidente, Arkady Dvorkovich, economista e ex-vice-primeiro-ministro russo, de 54 anos, busca um novo mandato, defendendo a necessidade de a entidade se tornar “mais aberta, eficiente e ágil”. Sua reeleição em 2022, com ampla maioria, já havia sido um sucesso político e esportivo para a Rússia, onde o xadrez é popular e visto como um instrumento de soft power internacional.

A eleição, marcada para setembro no Uzbequistão, promete ser acirrada, com a entrada de dois candidatos alemães, o que pode levar a uma disputa tripartida pelos votos dos cerca de 200 delegados. O mestre dinamarquês Peter Heine Nielsen, treinador do ex-campeão mundial Magnus Carlsen, da Noruega, que em 2022 apoiou uma chapa contra Dvorkovich, considera o russo o favorito, mas ressalta que “a situação pode mudar”. A posição de Dvorkovich não é mais tão sólida, em parte por sua associação contínua com as sanções da União Europeia.

A Influência Russa e o Lado Político do Xadrez

Embora a Rússia tenha perdido a hegemonia nos tabuleiros, com campeões mundiais mais recentes vindos da China e da Índia, sua influência dentro da FIDE é inegável. Tradicionalmente, o financiamento da organização depende direta ou indiretamente de recursos russos. Um dos principais patrocinadores é o empresário do setor financeiro Timur Turlow, de origem russa e cidadão do Cazaquistão desde 2022, que almeja se tornar vice-presidente da FIDE em um eventual novo mandato de Dvorkovich.

O xadrez, que cresceu imensamente nos últimos cinco anos, busca expandir e diversificar suas fontes de receita. Malcolm Pein, experiente oficial de xadrez britânico e crítico da dominância russa, enfatiza a necessidade de atrair novos patrocinadores sem ligação com a Rússia, visando um crescimento sustentável para o esporte.

Desafiantes Alemães Agitam o Tabuleiro

A eleição ganha novo fôlego com as candidaturas de dois alemães. Um deles é o investidor Jan Henric Buettner, que conta com o apoio de Peter Heine Nielsen. Buettner propõe “melhorar a transparência e criar um crescimento sustentável e de longo prazo para o esporte”. Seu candidato a vice-presidente é Malcolm Pein. Buettner é conhecido por ter estabelecido o “xadrez freestyle” com Magnus Carlsen, uma variante do jogo que randomiza a posição inicial das peças, o que, para alguns, o posiciona mais como um empreendedor inovador do que como um futuro presidente de associação com passaporte diplomático.

No entanto, a Federação Alemã de Xadrez (DSB) não apoia Buettner. Paul Meyer-Dunker, presidente da DSB, critica a falta de contato prévio de Buettner e sua atuação independente. A esperança da federação alemã recai sobre outro nome: Vadim Rosenstein.

O Enigma de Vadim Rosenstein e as Questões de Transparência

Vadim Rosenstein, de 35 anos, é um empresário de Düsseldorf que, desde 2022, tem financiado e organizado eventos de xadrez de alto nível globalmente. Sua meta é que a FIDE se torne “uma das instituições mais respeitadas no esporte internacional”. Meyer-Dunker elogia Rosenstein, afirmando que ele “não apenas fala, mas age”, destacando os milhões investidos pelo empresário no esporte através de sua empresa, WR Logistics, e fundos próprios, embora ele se recuse a especificar o valor exato.

Apesar de seu impacto no cenário do xadrez ser reconhecido até mesmo por Buettner, questões sobre a transparência de sua trajetória empresarial persistem. Malcolm Pein expressa preocupação com a “falta de informações concretas” sobre seus negócios. Rosenstein rebate, afirmando ser um empresário que construiu seu próprio império, presente em 70 países, e que “não é apropriado nem necessário” divulgar todos os detalhes de sua estrutura societária.

Nascido em 1990 no que hoje é a Ucrânia, Rosenstein atuava na logística industrial internacional, com foco no apoio a empresas alemãs na Ucrânia e na Rússia até 2022. Desde então, ele cessou negócios com os russos, embora ainda possua empresas “formalmente” no país. O presidente da DSB, Paul Meyer-Dunker, defende Rosenstein, afirmando que, apesar das especulações, ele é um empresário respeitado e apaixonado por xadrez, e representa “a melhor chance de nos livrarmos de Dworkowitsch e implementarmos as reformas necessárias”.

Sanções e o Paradoxo Russo na Votação

A posição de Rosenstein sobre o papel da Rússia na política do xadrez é vista como evasiva por Malcolm Pein, que o questiona sobre a participação de jogadores russos em torneios e as “atividades ilegais da Federação Russa de Xadrez nos territórios ocupados da Ucrânia”. Rosenstein declara que, em princípio, preferiria um mundo onde cada jogador pudesse competir sob sua própria bandeira, mas que um presidente da FIDE deve agir dentro das regras estabelecidas. Ele enfatiza que a decisão do Tribunal Arbitral do Esporte (CAS) contra a federação russa deve ser implementada imediatamente.

Recentemente, o CAS condenou a federação russa por organizar eventos em territórios ucranianos ocupados, exigindo sua suspensão temporária da FIDE. Este cenário cria um paradoxo: um russo concorre à reeleição, enquanto a federação de seu país está impedida de participar da votação. Apesar disso, a eleição é acompanhada de perto na Rússia, com o site da Federação Russa de Xadrez divulgando um relatório favorável a Dvorkovich e um artigo sobre Rosenstein, mas ignorando Buettner e Pein.

No mundo do xadrez, como resume Peter Heine Nielsen, “jogadores, dirigentes e fãs ficam felizes com torneios e eventos interessantes, mas a maioria não quer saber exatamente de onde vem o dinheiro para eles”. Essa realidade sublinha a complexidade da eleição da FIDE, onde a paixão pelo jogo se entrelaça com questões de poder, política e financiamento global.

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