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Flamengo Amplia Aposta em Estrangeiros: De Oportunidades a Ídolos, Como

Flamengo amplia aposta em estrangeiros: de oportunidades a ídolos, como

O Flamengo está prestes a integrar mais dois estrangeiros ao seu elenco principal. Anthony Valencia, atacante equatoriano de 23 anos vindo do Royal Antwerp, e Joaquín Freitas, jovem argentino de 19 anos ex-River Plate, chegaram ao Rio para realizar exames e assinar contrato. Com a oficialização dessas contratações, o número de jogadores internacionais trazidos diretamente para o time profissional rubro-negro desde 2014 alcançará 29. Essa expansão reflete uma profunda e contínua transformação na estratégia do clube, iniciada em 2013 com sua reestruturação administrativa e financeira.

A Revolução Estratégica: De Oportunidades a Grandes Investimentos

A jornada do Flamengo no mercado internacional passou por uma evolução notável. Nos primeiros anos após a reconstrução financeira, o Rubro-Negro priorizava oportunidades de mercado, empréstimos e a busca por talentos em ligas sul-americanas. Com o tempo e o aumento significativo de sua capacidade de investimento, a estratégia mudou. O clube passou a mirar em protagonistas de rivais brasileiros e, posteriormente, em atletas atuantes em grandes ligas europeias. Essa mudança resultou em um elenco diversificado, com passagens que variam de poucos minutos em campo, como a de Darío Conca, a trajetórias de ídolos que marcaram a história recente do clube, como Giorgian de Arrascaeta.

Ídolos e Protagonistas: O Impacto dos Estrangeiros Vencedores

Nenhum estrangeiro contratado neste recorte temporal alcançou o impacto e a relevância de Giorgian de Arrascaeta. O uruguaio, que chegou do Cruzeiro em 2019, tornou-se a peça central do período mais vitorioso da história recente do Flamengo, acumulando três Libertadores, Brasileiros, Copas do Brasil e outros títulos, além de se tornar o estrangeiro com mais gols pelo clube. Poucos meses após sua chegada, o espanhol Pablo Marí, vindo do Manchester City, também deixou sua marca, sendo titular absoluto nas campanhas de 2019 e gerando retorno financeiro ao ser negociado com o Arsenal. Antes desse período de glórias, o colombiano Gustavo Cuéllar, que chegou em 2016, conquistou a identificação da torcida em 171 jogos.

Mais recentemente, atletas como Erick Pulgar, Guillermo Varela e Agustín Rossi deram longevidade ao processo de internacionalização do elenco. Pulgar, após um início discreto, se firmou como titular e já acumula nove títulos. Varela superou contestações e ultrapassou 150 partidas. Rossi consolidou-se no gol, tornando-se uma das peças mais utilizadas. Antes da geração multicampeã, Paolo Guerrero representou um grande impacto ofensivo, marcando 43 gols em 115 jogos entre 2015 e 2018, embora em um Flamengo ainda em estruturação esportiva. Outros nomes como Miguel Trauco e Orlando Berrío também tiveram sequências razoáveis e contribuíram para o elenco da época.

Os Desafios e os Contrastes: Altas Expectativas e Baixo Retorno

A história de contratações estrangeiras do Flamengo também é marcada por desafios e contrastes. Darío Conca, por exemplo, chegou em 2017 com enorme prestígio após uma carreira brilhante no Fluminense, mas uma grave lesão no joelho o limitou a apenas 27 minutos em três partidas, simbolizando a maior distância entre expectativa e participação. Outros com passagens mínimas incluem Pablo Armero (cinco jogos em 2015) e Frickson Erazo (sete jogos em 2014). Alejandro Donatti, com 11 jogos entre 2016 e 2017, também teve sua trajetória limitada por lesões, mas gerou retorno financeiro em sua negociação.

Carlos Alcaraz representa um dos maiores contrastes entre investimento e participação esportiva. Contratado por cerca de US$ 20 milhões em 2024, o argentino disputou apenas 19 jogos antes de ser emprestado e, posteriormente, vendido ao Everton. Marlos Moreno, por sua vez, teve 36 jogos e apenas um gol em 2018. Matías Viña, apesar de uma grave lesão em 2024, teve uma passagem de 32 partidas antes de ser emprestado. O espanhol Saúl Ñíguez, chegado em 2025, ainda tem sua avaliação em aberto após 37 jogos sem gols. Em contraste, Gonzalo Plata, que chegou em 2024 e saiu em 2026, participou de 100 jogos e seis títulos, saindo valorizado para o futebol russo, mesmo sem uma grande produção de gols.

O Raio-X Completo: Da Chegada à Saída (e quem não conta)

O levantamento dos estrangeiros contratados desde 2014 mostra uma linha do tempo rica em nomes. Em 2014, vieram Frickson Erazo, Lucas Mugni e Héctor Canteros. Em 2015, Pablo Armero e Paolo Guerrero. O ano de 2016 trouxe Gustavo Cuéllar, Federico Mancuello e Alejandro Donatti. Em 2017, Miguel Trauco, Darío Conca e Orlando Berrío. Em 2018, Marlos Moreno, Fernando Uribe e Robert Piris da Motta. A partir de 2019, o patamar mudou com Giorgian de Arrascaeta e Pablo Marí. Mauricio Isla chegou em 2020. Em 2022, Arturo Vidal, Erick Pulgar e Guillermo Varela. 2023 marcou a chegada de Agustín Rossi. Em 2024, Nicolás de la Cruz, Matías Viña, Carlos Alcaraz e Gonzalo Plata. Mais recentemente, em 2025, Saúl Ñíguez e Jorge Carrascal, e agora, em 2026, Anthony Valencia e Joaquín Freitas.

É importante destacar que alguns jogadores, apesar de terem defendido outras seleções, não ocuparam vagas de estrangeiros no Flamengo devido à sua nacionalidade brasileira. Casos como Marcelo Moreno (Bolívia/Brasil), Eduardo da Silva (Croácia/Brasil), Andreas Pereira (Bélgica/Brasil) e Jorginho (Itália/Brasil) são exemplos. Richard Ríos, por sua vez, chegou como aposta para a base, não como reforço direto para o profissional. Marcos González e Víctor Cáceres, embora estrangeiros, foram contratados antes do marco temporal de 2013/2014.

A trajetória do Flamengo na contratação de estrangeiros, desde a reconstrução administrativa e financeira de 2013, revela uma evolução clara. De apostas pontuais e oportunidades de mercado, o clube passou a investir em grandes nomes e pilares para o elenco. A chegada de Valencia e Freitas em 2026 solidifica essa tendência, mas também eleva a régua: em um time onde Arrascaeta redefiniu o que significa ser um “gringo”, o desafio é atender às altas expectativas de protagonismo e idolatria em um dos maiores clubes do Brasil.

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