Jogo de Gato e Rato Contra Criminosos
A batalha contra o roubo de veículos segue em constante evolução, com criminosos descobrindo novas brechas e especialistas em segurança desenvolvendo contra-medidas. Uma nova solução que ganha força é a trava antifurto da ECU (Unidade de Controle Eletrônico), também conhecida como o ‘cérebro’ do carro. Essa trava física impede que a ECU seja roubada e utilizada para ligar o motor, um método cada vez mais comum em roubos de carros modernos.
Como Funciona a Trava da ECU?
A trava é um dispositivo de metal, com cerca de 20 cm, que bloqueia fisicamente a caixa onde ficam as centrais eletrônicas mais importantes sob o capô. Isso impede que os bandidos retirem a ECU, que é essencial para operar o motor e coordenar os demais sistemas do veículo, incluindo o sistema de partida por botão. Alguns carros já saem de fábrica com essa proteção, mas para outros, o dispositivo pode ser adquirido online por preços acessíveis, entre R$ 50 e R$ 100.
Golpes Explorando a Eletrônica Veicular
Especialistas explicam que o roubo de carros via módulos eletrônicos pode ocorrer de diversas formas. Uma delas envolve o roubo da ECU para ser ‘contaminada’ com um tipo de vírus. Ao ser recolocada no veículo, essa ECU ‘infectada’ permite que uma ‘chave fria’ autorize a partida do motor. Outro método, explorado por Ian Tabor, um renomado especialista em segurança automotiva, envolve a inserção de dispositivos maliciosos na rede CAN (Controller Area Network). Essa rede, utilizada há décadas para transmitir dados de forma confiável em veículos, foi o alvo de um golpe que levou ao roubo do seu Toyota RAV4 e de um veículo similar de um vizinho.
Tecnologia Sofisticada e Acessível
Investigações conduzidas pelo especialista Ken Tindell revelaram que injetores de vírus para ECUs roubadas podiam ser comprados por cerca de R$ 30.000. Um desses dispositivos, compatível com diversos modelos Toyota, foi encontrado disfarçado de caixa de som JBL. Ao ser ativado, ele enviava sinais para a rede CAN do veículo, explorando uma falha que permitia que ordens invasoras fossem aceitas como legítimas. O chip dentro do dispositivo custava menos de R$ 100, mas o código utilizado demonstrava profundo conhecimento do funcionamento automotivo. Estima-se que muitos veículos roubados por essa técnica eram contrabandeados para a África.
Soluções e o Futuro da Segurança Automotiva
Especialistas defendem a adoção de uma estratégia de ‘zero-confiança’, onde todos os computadores do carro validam a autenticidade das mensagens uns dos outros. Contudo, otimizar essa checagem dentro da capacidade de transferência de dados da rede CAN é um desafio. Diante disso, algumas montadoras consideram a mudança gradual da tecnologia CAN, enquanto outras exploram conexões à internet ou métodos sigilosos. Ken Tindell, por exemplo, desenvolveu soluções que não exigem novas tecnologias, como um ‘antivírus’ para a rede CAN de veículos militares. As travas físicas, no entanto, permanecem como uma medida eficaz e cada vez mais popular, especialmente entre frotistas, como uma forma direta de proteção contra as ameaças cibernéticas no universo automotivo.





