Despedidas Dolorosas: Ídolos que Partiram em 2025
O ano de 2025 foi um misto de emoções no universo esportivo, reunindo grandes feitos dentro das arenas e, ao mesmo tempo, despedidas que comoveram atletas, torcedores e profissionais da imprensa. Mortes inesperadas e perdas históricas dividiram espaço com fatos que ajudaram a definir a temporada.
A perda que mais chocou a comunidade esportiva foi a de Diogo Jota, atacante da seleção portuguesa e do Liverpool, que faleceu em um acidente de trânsito em 3 de julho. Aos 28 anos, o atleta viajava de carro pela Espanha com seu irmão, o jogador André Silva, de 25, quando o veículo saiu da estrada e pegou fogo. Diogo, que havia passado por uma cirurgia no pulmão e fora desaconselhado a viajar de avião, estava a caminho do Reino Unido. Dez dias antes, havia se casado com Rute Cardoso e deixava três filhos. Jota se destacou no Porto e Wolverhampton antes de chegar ao Liverpool em 2020, onde conquistou três títulos, incluindo a Premier League (2024/25), e marcou 65 gols em 182 jogos. Pela seleção de Portugal, foi bicampeão da Liga das Nações da Uefa.
O boxe também perdeu uma de suas maiores lendas: George Foreman. Campeão olímpico e bi mundial dos pesos pesados, Foreman morreu em 21 de março, aos 76 anos, por causa não divulgada. Ao lado de Muhammad Ali, Joe Frazier e Mike Tyson, ele é considerado um dos maiores de todos os tempos. Foreman e Ali protagonizaram a histórica “Luta na Selva” em 1974, no Zaire (atual República Democrática do Congo), onde Ali venceu Foreman por nocaute, a única derrota do pugilista por essa via. Fora dos ringues, Foreman ficou famoso por seu empreendimento com o George Foreman Grill, lançado em 1994 e que vendeu mais de 100 milhões de unidades até 2009.
O jornalismo esportivo brasileiro sofreu duas grandes perdas. Em janeiro, morreu Léo Batista, o “Voz Marcante”, aos 92 anos, no Rio de Janeiro, devido a um tumor no pâncreas. Ícone da Globo por 55 anos, Batista marcou gerações com sua presença no “Globo Esporte”, Fantástico, Jornal Nacional e Jornal Hoje. Sua carreira começou no rádio, cobrindo a Copa de 1950 e, em 1954, noticiou o suicídio de Getúlio Vargas. Na TV, cobriu 13 Copas do Mundo e 13 Jogos Olímpicos, além de plantões sobre a morte de Ayrton Senna e Princesa Diana.
Em setembro, foi a vez de Paulo Soares, o “Amigão”, falecer aos 63 anos, por causa não divulgada. Conhecido por seu carisma e bom humor, Amigão dedicou mais de 30 anos à ESPN, onde apresentava o SportsCenter ao lado de Antero Greco (falecido em 2024). Ele iniciou sua carreira no rádio e passou pela Gazeta, Record e Cultura antes de se tornar uma das principais referências da ESPN no Brasil.
Por fim, em dezembro, o esporte se despediu da jovem ginasta brasileira Isabelle Marciniack, de apenas 18 anos. Ela faleceu na véspera do Natal, em decorrência de um linfoma de Hodgkin. Natural de Araucária, no Paraná, Isabelle era uma grande promessa, tendo conquistado o título individual geral no Campeonato Brasileiro de Ginástica Rítmica em 2021, além de medalhas de ouro e prata na mesma competição e um título no Campeonato Paranaense antes de interromper a carreira para o tratamento.
As despedidas marcaram profundamente o esporte ao longo do ano, mas 2025 também foi um período de acontecimentos relevantes dentro e fora das competições, com decisões históricas, retornos simbólicos e feitos que ajudaram a definir a temporada.
O Retorno de Ídolos e o Brilho de Novos Talentos
O futebol brasileiro foi agitado com o regresso de Neymar ao Santos, após 12 anos. Anunciado em janeiro, o craque rescindiu com o Al-Hilal e abriu mão de parte de seus US$ 65 milhões. Sua temporada, contudo, foi de altos e baixos, marcada por lesões que o fizeram perder quase metade dos jogos. Em 28 partidas, marcou 15 gols e deu oito assistências, sendo crucial para livrar o Santos do rebaixamento. Apesar disso, não foi convocado por Carlo Ancelotti para a seleção brasileira, colocando em xeque sua participação na Copa do Mundo de 2026.
No tênis, a ascensão meteórica de João Fonseca, carioca de 19 anos, o apresentou ao mundo. Ele saltou do 145º para o 24º lugar no ranking em 12 meses. Fonseca surpreendeu ao derrotar Andrey Rublev no Australian Open e venceu seu primeiro título ATP no Argentina Open, tornando-se o brasileiro mais jovem a conquistar um torneio do circuito principal. Conquistou ainda o ATP 500 em Basileia e os Challengers de Canberra e Phoenix, somando quatro troféus.
O Brasil também vibrou com o tênis de mesa, graças a Hugo Calderano. Em abril, ele se tornou o primeiro brasileiro a vencer a Copa do Mundo da modalidade, em Macau, na China, derrotando o número 1 do mundo, Lin Shidong, na final. Calderano ainda foi vice no Campeonato Mundial em Doha e faturou o título individual e de duplas mistas no Pan-Americano.
Domínio Europeu e Sul-Americano no Futebol
O Paris Saint-Germain viveu uma temporada de afirmação em 2024/25. Mais coletivo e menos dependente de individualidades, o time de Luis Enrique conquistou a tríplice coroa: Champions League, Campeonato Francês e Copa da França. O ponto alto foi a vitória por 5 a 0 na final da Champions contra a Inter de Milão.
O futebol brasileiro roubou a cena na primeira edição do novo Mundial de Clubes da FIFA, nos Estados Unidos. O Botafogo chocou o mundo ao derrotar o PSG por 1 a 0 na fase inicial, e o Flamengo bateu o Chelsea por 3 a 1. O Fluminense chegou às semifinais, caindo para o Chelsea, que eliminou o Palmeiras nas quartas e venceu o PSG na decisão por 3 a 0, conquistando o primeiro troféu do novo formato com 32 times.
No cenário nacional e continental, o Flamengo não deu chances aos rivais e repetiu o feito de 2019, conquistando a dobradinha histórica de Brasileirão e Libertadores, superando o Palmeiras em ambos. Além desses, levou o bicampeonato estadual e a Supercopa do Brasil, vencendo o Botafogo. Em dezembro, no Intercontinental da FIFA no Catar, o time de Filipe Luís empatou a final com o PSG, mas perdeu nos pênaltis por 2 a 1.
Brasil no Topo dos Esportes Olímpicos e a Nova Era da F1
No primeiro ano do ciclo olímpico para Los Angeles-2028, o Brasil frequentou o pódio em diversas modalidades. Maria Clara Pacheco foi campeã mundial de taekwondo (até 57kg) na China. Caio Bonfim teve um dos melhores anos da carreira, tornando-se campeão mundial da marcha atlética (20km) no Japão e prata nos 35km em Tóquio. No boxe, a carioca Rebeca Lima (até 60kg) venceu o Mundial de Liverpool.
A equipe brasileira de Ginástica Rítmica (Nicole Pircio, Maria Paula Carminha, Eduarda Arakaki, Sofia Madeira e Mariana Gonçalves) conquistou a medalha de prata na disputa geral e na série mista no Mundial do Rio de Janeiro. No surfe, Yago Dora recolocou o Brasil no centro do cenário mundial com um título mundial.
Na Fórmula 1, após quatro títulos consecutivos de Max Verstappen, a temporada de 2025 coroou um novo campeão: o britânico Lando Norris, de 26 anos, que faturou seu primeiro mundial pela McLaren, que recuperou o protagonismo na categoria.










