O Corinthians teve uma parcela significativa da premiação referente ao título da Copa do Brasil retida pela Caixa Econômica Federal. O banco bloqueou cerca de R$ 35 milhões, o que representa metade do valor líquido de R$ 69 milhões que o clube alvinegro tinha a receber da CBF pela conquista da competição. A informação, inicialmente divulgada pelo UOL e confirmada pelo Estadão, revela um impasse financeiro que impacta diretamente o planejamento do clube para 2026.
A Disputa pelo Bloqueio e a Dívida da Neo Química Arena
O presidente corintiano, Osmar Stábile, tem mantido conversas com o presidente da Caixa, Carlos Antônio Vieira Fernandes, na tentativa de liberar o montante, considerado crucial para as finanças do clube. O Corinthians argumenta que a Caixa estaria utilizando uma receita prevista para 2025 para abater juros cujo vencimento ocorreria apenas em 2026.
Por outro lado, a Caixa defende a legalidade da retenção, baseada em contratos de cessão fiduciária firmados com o clube. O Corinthians possui uma dívida com o banco que ultrapassa os R$ 600 milhões, referente à construção da Neo Química Arena. Em 2022, durante a gestão de Duílio Monteiro Alves, um acordo de renegociação foi estabelecido, oferecendo como garantia receitas como aluguel do estádio, bilheteria e outros recebíveis.
Para se proteger contra a inadimplência, a Caixa pode reter qualquer recebível previsto no contrato, já que o acordo estabelece como garantia juros futuros e correções, independentemente do ano de vencimento. A Caixa foi procurada pela reportagem, mas não se manifestou.
Impacto Financeiro e a Ameaça ao Planejamento
O bloqueio da premiação tem consequências imediatas para o Corinthians. Dos R$ 69 milhões líquidos que o clube teria direito, R$ 34 milhões estavam prometidos aos atletas como bônus pela conquista da Copa do Brasil. A outra parte do valor seria destinada ao pagamento de dívidas e à resolução do “transfer ban” imposto pela Fifa.
A punição da Fifa, aplicada em agosto do ano passado, impede o clube de registrar novos atletas por três períodos de contratação. Essa sanção foi imposta devido a uma dívida de R$ 40 milhões do Corinthians com o Santos Laguna, do México, pela aquisição do zagueiro equatoriano Félix Torres.
A Posição da Gestão Anterior e as Críticas
Duílio Monteiro Alves, presidente do Corinthians na época da renegociação da dívida com a Caixa, divulgou uma nota à imprensa afirmando que o bloqueio só ocorreu porque há parcelas em aberto. Ele destacou que, em sua gestão, foi celebrado um acordo que reduziu uma contingência de R$ 3 bilhões para R$ 700 milhões e que R$ 80 milhões foram quitados em 2023.
“Se alguma receita listada como garantia foi bloqueada, isso lamentavelmente significa que alguma parcela vencida está em aberto”, afirmou Duílio. Ele criticou a atual administração, mencionando que o pagamento deveria ter sido priorizado e que a tática de “demonizar e descumprir os acordos” serve para justificar “irresponsabilidades administrativas que se seguiram, rasgando acordos como se não fossem positivos, além de piorar sensivelmente a saúde financeira de um clube que, de 2021 a 2023, apresentou três superávits”.
A situação coloca o Corinthians em um cenário de incertezas financeiras, afetando não apenas a remuneração de seus jogadores, mas também a capacidade de reforçar o elenco e honrar compromissos, enquanto a disputa com a Caixa segue em aberto.










