Um Retrato Cru do Isolamento Materno
O filme “Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria”, dirigido e roteirizado por Mary Bronstein, mergulha na complexa realidade de Linda (Rose Byrne), uma psicóloga que enfrenta uma avalanche de desafios. Desde problemas domésticos, como um vazamento em seu apartamento, até as dificuldades logísticas na escola da filha e o tratamento de um raro transtorno alimentar, Linda se vê imersa em uma rotina de adversidades.
A Ausência de Suporte e a Dinâmica Masculina
A narrativa expõe a gritante falta de apoio que cerca Linda. Seu marido, ausente fisicamente e presente apenas por telefone devido ao trabalho em um cruzeiro, não participa ativamente da vida familiar. Seu chefe, um psiquiatra interpretado por Conan O’Brien, demonstra um distanciamento deliberado. Figuras masculinas como um novo vizinho (A$AP Rocky) parecem personificar a figura do “resolvedor de problemas”, mas apenas em momentos de crise extrema, oferecendo soluções superficiais que reforçam a solidão de Linda.
A Atuação de Rose Byrne e a Crítica Social
Rose Byrne entrega uma performance notável, explorando a vulnerabilidade e a complexidade de Linda. Conhecida por seus papéis em comédias e filmes de terror, a atriz revela um lado mais profundo, transmitindo a nervosidade e a impulsividade da personagem que, embora gere momentos de humor, reflete frustrações latentes. O filme se distancia de visões otimistas sobre a experiência feminina, optando por um retrato realista e, por vezes, implacável das pressões sociais, ansiedades e medos que assolam as mulheres, especialmente no papel de mães.
Um Ciclo Vicioso de Solidão
Mary Bronstein constrói um cenário onde as tentativas de Linda de escapar de suas dificuldades são frequentemente recebidas com olhares de desaprovação e reações que, em vez de ajudar, aprofundam seu isolamento. Esse ciclo vicioso culmina em um desfecho desolador, mas intencional. O objetivo do filme é manter o espectador engajado com a jornada de Linda, convidando à reflexão sobre a realidade de mulheres que lutam sozinhas em um mundo que muitas vezes se mostra indiferente.





