A temporada 2025/2026 do futebol europeu, ainda em sua primeira metade, já registra um elevado número de trocas no comando técnico dos principais clubes. Conhecida no Brasil como a “dança das cadeiras”, essa prática tem se intensificado no Velho Continente, somando 24 mudanças nas cinco grandes ligas – Inglaterra, Espanha, Itália, França e Alemanha. Embora o número ainda seja inferior às 22 demissões do Brasileirão em 2025, as recentes decisões indicam uma convergência na mentalidade de clubes europeus e brasileiros.
Gigantes Europeus na Roda-Viva das Trocas
Os primeiros dias de 2026 foram marcados por reformulações em alguns dos clubes mais prestigiados da Europa. O Chelsea, por exemplo, anunciou a demissão de Enzo Maresca, que havia conquistado o Mundial de Clubes apenas 18 meses antes. Para seu lugar, o clube londrino trouxe Lian Rosenior, do Strasbourg. Pouco depois, foi a vez do Manchester United encerrar a passagem de Rúben Amorim, técnico que ganhou destaque pelo trabalho no Sporting, e promover o ex-volante Michael Carrick ao cargo.
A troca mais recente e notável ocorreu no Real Madrid, onde Xabi Alonso foi dispensado após apenas sete meses. O ex-jogador, que sucedeu Carlo Ancelotti (que foi para a seleção brasileira), não conseguiu controlar as estrelas madrilenhas, chegando a ser publicamente confrontado por Vinícius Júnior. Álvaro Arbeloa, com experiência no Real Castilla, foi promovido para assumir o time principal. A passagem de Xabi Alonso o coloca entre os dez treinadores com menor tempo no comando do Real Madrid neste século, superando apenas Vanderlei Luxemburgo (1 ano) e Manuel Pellegrini (11 meses). O recorde de menor permanência ainda pertence a Julen Lopetegui, com apenas 11 semanas, encerradas após uma goleada de 5 a 1 para o Barcelona.
Premier League Lidera o Ranking de Demissões
Considerada um modelo de liga, a Premier League inglesa é a competição que mais registrou trocas de comando nesta temporada. Além de Manchester United e Chelsea, clubes como Wolverhampton, West Ham e Nottingham Forest também realizaram mudanças. O Nottingham Forest, inclusive, trocou de técnico duas vezes, com Ange Postecoglou, que substituiu Nuno Espírito Santo, ficando apenas 39 dias no cargo – demitido duas semanas após conquistar a Liga Europa.
Cenário nas Demais Ligas e os Motivos Comuns
A Espanha e a Alemanha vêm em seguida, com cinco trocas de comando técnico cada. Os campeonatos Italiano e Francês registraram quatro mudanças de treinadores cada. A lista de times que demitiram ou perderam técnicos inclui nomes como Erik ten Hag (Bayer Leverkusen), Gerardo Seoane (Borussia Mönchengladbach), Paul Simonis (Wolfsburg), Sandro Wagner (Augsburg) e Bo Henriksen (Mainz 05) na Alemanha; Sergio Francisco (Real Sociedad), Luis Carrión (Real Oviedo), Julián Calero (Levante) e Veljko Paunovic (Real Oviedo) na Espanha; Liam Rosenior (Strasbourg), Franck Haise (RC Lens), Luís Castro (Nantes) e Adi Hütter (Monaco) na França; e Ivan Juric (Atalanta), Stefano Pioli (Fiorentina), Patrick Vieira (Genoa) e Igor Tudor (Juventus) na Itália.
Os motivos por trás dessa crescente instabilidade são semelhantes aos observados no futebol brasileiro: a pressão por resultados imediatos, a perda do “vestiário” por parte do treinador e os impactos de derrotas pontuais, especialmente em clássicos, que podem gerar grande humilhação e insatisfação na torcida e diretoria.





