A proximidade do presidente da FIFA, Gianni Infantino, com o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem gerado um ruidoso debate sobre a neutralidade política da entidade, um dos seus pilares estatutários. Com os EUA prestes a sediar a Copa do Mundo, a aliança entre os dois líderes é vista como um desafio direto aos princípios que regem o futebol mundial, especialmente diante de ações controversas de Trump, como a autorização de invasão à Venezuela.
A Ruptura com o Estatuto da FIFA
O estatuto da Federação Internacional de Futebol (FIFA) é claro: exige neutralidade política e religiosa, sem interferência estatal ou discriminação. Essa cláusula, que protege a organização de se envolver em conflitos como as disputas entre palestinos e israelenses, foi explicitamente ignorada por Infantino. O presidente suíço não apenas se aproximou de Trump, mas fez questão de exibir publicamente essa amizade, seja nas redes sociais, na cerimônia de posse do ex-presidente ou ao criar um prêmio da paz exclusivo para o político americano.
Polarização e Prejuízo Institucional
Ao se associar tão abertamente a Donald Trump, Infantino atrai para a FIFA tanto o apoio quanto as críticas direcionadas ao ex-presidente. As ações de Trump, seja na política anti-imigratória, na guerra tarifária ou em questões geopolíticas, dividem opiniões globalmente. A neutralidade política servia justamente para blindar a FIFA dessa polarização, evitando que a entidade fosse arrastada para debates ideológicos que poderiam prejudicar sua imagem e coesão institucional.
Um Contraste com o Passado e os Riscos Financeiros
A postura de Infantino destoa significativamente da de seu antecessor, Joseph Blatter. Embora Blatter tenha viabilizado Copas em países como Brasil, Rússia e Catar, que enfrentaram críticas por corrupção, ditadura ou “sportwashing”, ele manteve um certo distanciamento formal. Dilma Rousseff, Vladimir Putin e os xeques catarianos não receberam um “prêmio da paz” da FIFA. A atual aproximação não é apenas uma questão de imagem; ela toca diretamente nos interesses dos patrocinadores, emissoras e parceiros comerciais. Com US$ 9 bilhões em jogo para a Copa de 2026, nenhum deles deseja ver suas marcas associadas a controvérsias políticas, especialmente com o evento se aproximando.





