Quando Max Verstappen acelerou seu carro em direção à Curva 1 do Circuito de Barcelona em fevereiro de 2022, para o primeiro dia de testes da pré-temporada, um chiado distinto anunciava uma nova era. Os carros de efeito solo, projetados sob um novo conjunto de regulamentos aerodinâmicos, prometiam revolucionar as ultrapassagens na Fórmula 1. Contudo, ao nos despedirmos dessa geração de carros que dominou a categoria de 2022 a 2025, a memória desse som peculiar simboliza os desafios e as ambições não totalmente cumpridas.
A intenção principal, segundo Nikolas Tombazis, chefe do setor de monopostos da FIA, era melhorar a “capacidade de corrida”, reduzindo o problema do “ar sujo” que dificultava as ultrapassagens. Embora os dados iniciais tenham mostrado uma melhora, o desenvolvimento aerodinâmico subsequente das equipes fez com que o ar turbulento voltasse a ser um fator, diminuindo novamente a força descendente para o carro que seguia.
Os Desafios Inesperados dos Carros de Efeito Solo
Apesar da boa intenção, a era de 2022 trouxe consigo problemas significativos. Em condições de chuva, as maiores superfícies de asas, bicos e sidepods, que dispersavam o ar sujo de forma mais ampla e alta, também espalhavam a água de forma mais intensa, piorando drasticamente os problemas de visibilidade para os pilotos. Além disso, o fenômeno do ‘porpoising’ – o movimento de quicar do carro quando a pressão aerodinâmica se desprende e se religa rapidamente ao solo – tornou-se uma constante, causando desconforto aos pilotos e comprometendo a performance.
Promessas e Realidades da Competição
Um dos objetivos centrais dos regulamentos de 2022 era promover uma competição mais acirrada, afastando-se de carros rápidos, mas pouco competitivos. Os dados da FIA são instrutivos: a diferença de tempo entre o carro mais rápido e o mais lento no Q1 de uma qualificação seca caiu de 2,5% em 2021 para 1,6% em 2022, atingindo 1,1% em 2025. Essa margem apertada significava que até mesmo equipes do meio do pelotão poderiam ter resultados ruins se seus pilotos não extraíssem o máximo do carro, como visto nos consecutivos Q1 de Lewis Hamilton em 2025.
Embora a Red Bull tenha dominado com 54 vitórias em 92 corridas, e a McLaren tenha emergido com 19, a F1 viu histórias e narrativas dinâmicas. O grid mais equilibrado impulsionou a meritocracia e evitou o domínio absoluto de uma única equipe, como em eras anteriores da Mercedes. Nesse aspecto, os regulamentos de 2022 podem ser considerados um sucesso.
A Visão dos Pilotos: Desconforto e Frustração
Uma constante ao longo dessa era foi a aversão dos pilotos aos carros de efeito solo. Fernando Alonso, no Grande Prêmio de Las Vegas de 2025, foi categórico:





