A Fórmula 1, um esporte com raízes na aristocracia e simplicidade das corridas dos anos 1950, e que evoluiu com a chegada dos motores traseiros e a busca por segurança, experimenta hoje um período de crescimento espetacular. Essa ascensão meteórica é resultado direto da visão e das ações implementadas pela Liberty Media, a empresa estadunidense que adquiriu os direitos comerciais da categoria de Bernie Ecclestone.
A Estratégia por Trás da Explosão de Audiência
A Liberty Media soube explorar com maestria novos recursos, como a internet, e, de forma inovadora, criou a série documental “Drive to Survive”, exibida globalmente pela plataforma Netflix. A principal consequência dessa estratégia foi a conquista de uma audiência jovem e diversificada, que, até então, tinha pouco ou nenhum contato com o universo da Fórmula 1.
Valorização que Atrai Investidores Globais
A explosão de seguidores não apenas ampliou a base de fãs, mas também valorizou exponencialmente o preço do espaço publicitário nas carrocerias dos monopostos e na indumentária dos pilotos. A atração de investidores e fundos de investimento tornou-se evidente. Um exemplo notável é a equipe Mercedes: o austríaco Toto Wolff vendeu 10% de suas ações, capitalizando cerca de R$ 111 milhões, considerando que a equipe está avaliada em aproximadamente US$ 6,1 bilhões.
Outro caso impressionante é o do canadense Lawrence Stroll, que adquiriu a equipe Aston Martin em 2018 por US$ 112 milhões. Hoje, a equipe é avaliada pela Forbes em US$ 3,2 bilhões, um salto de valor que reflete o novo patamar da categoria. Antigamente, nos tempos áureos de pilotos como Nelson Piquet e Ayrton Senna, carros como o Brabham e o McLaren ostentavam as cores de um único patrocinador. Atualmente, as carenagens dos carros se assemelham a páginas de classificados, tamanha a quantidade de marcas adesivadas, um claro indicativo da demanda publicitária.
O Lucrativo Mercado do Merchandising Oficial
Paralelamente à valorização das equipes e do espaço publicitário, o comércio de itens oficiais em cada evento também registrou um crescimento impressionante. Os produtos à venda nas lojas instaladas dentro dos autódromos são comercializados a preços mais altos que em outros esportes. No Grande Prêmio de São Paulo, por exemplo, um boné com selo de “mercadoria oficial” era vendido por cerca de R$ 500,00, enquanto opções alternativas fora do autódromo custavam 10% ou menos desse valor.
Números que Comprovam o Sucesso Financeiro
As últimas estatísticas disponíveis sobre o faturamento da F-1 reforçam esse cenário de sucesso. No trimestre encerrado em setembro, a receita da categoria atingiu US$ 869 milhões (equivalente a cerca de R$ 4,73 bilhões), representando um aumento de 0,9% em relação ao mesmo período do ano anterior. Esses números confirmam a Fórmula 1 como uma potência global de esporte e entretenimento, com um futuro financeiro promissor.





