O esporte que mais cresce nos EUA, o pickleball, acaba de enfrentar um revés dramático que ecoa por todo o cenário esportivo mundial. A cidade idílica de Carmel-by-the-sea, na Califórnia, tomou uma decisão drástica: banir a modalidade de seu principal parque, o Forest Hill. Esta não é uma notícia trivial; ela levanta questões urgentes sobre a convivência entre o rápido crescimento de novos esportes e a qualidade de vida em áreas urbanas.
A proibição em Carmel não é apenas um incidente isolado; representa um ponto de virada potencial para o pickleball. O “pop-pop” incessante das raquetes, antes visto como parte da diversão, agora se tornou um símbolo de conflito, forçando uma reflexão profunda sobre a expansão desordenada e o impacto social do esporte. O que acontece em Carmel pode muito bem ser um prenúncio de desafios futuros para a modalidade em outras comunidades.
Essa situação exige uma análise imediata. Como um esporte com apelo crescente entre todas as idades pode se ver em uma encruzilhada tão delicada? A decisão de Carmel-by-the-sea expõe as tensões inerentes ao crescimento exponencial e a necessidade de regulamentação inteligente, antes que o entusiasmo vire irritação em outras cidades.
Análise SIMBA: O Que o Dirigente Não Contou
A decisão de banir o pickleball do Parque Forest Hill, embora justificada pelas incessantes reclamações de ruído, esconde uma falha estratégica mais profunda por parte da comunidade do esporte e dos planejadores urbanos. O que os defensores do pickleball não admitem abertamente é que a paixão pelo jogo não foi acompanhada por uma proatividade na busca por soluções de mitigação sonora ou pela negociação efetiva com os residentes afetados. A retórica de “apenas algumas pessoas reclamando” ignora o direito à tranquilidade em um local que investiu milhões em seu caráter pacífico.
Além disso, a ineficácia das tentativas anteriores de regulamentação, como a limitação de horários, revela uma falha de governança. A comunidade do pickleball, ao invés de se engajar ativamente na busca por equipamentos mais silenciosos ou na exploração de locais alternativos e isolados, pareceu relutar em aceitar a validade das preocupações dos moradores. Esse impasse escalou para um conflito que, inevitavelmente, resultou na medida mais drástica: a proibição. O silêncio dos defensores sobre a responsabilidade de equilibrar o entusiasmo esportivo com a vida comunitária é ensurdecedor, e pode custar caro ao esporte em sua jornada de popularização.
O impacto futuro para o pickleball é multifacetado. Financeiramente, fabricantes de equipamentos silenciosos podem ver uma nova janela de mercado, forçando a inovação. Para o elenco de jogadores, a procura por espaços adequados e bem regulados se intensificará, pressionando prefeituras a investirem em infraestrutura específica, longe de áreas residenciais sensíveis. O incidente de Carmel serve como um estudo de caso crítico, destacando que o rápido crescimento não é suficiente; a sustentabilidade de um esporte em ambientes urbanos depende intrinsecamente de sua capacidade de coexistir pacificamente com a comunidade, algo que, infelizmente, falhou drasticamente nesta pitoresca cidade californiana.
O “Pop-Pop” Que Virou Problema Urbano
O pickleball, derivado do tênis e popularizado após a pandemia, consolidou-se como o esporte de raquete de maior crescimento nos EUA. No entanto, em Carmel-by-the-sea, essa ascensão esbarrou em um obstáculo inesperado: o som. O incessante “pop-pop” da bolinha rebatida pelas raquetes transformou-se em uma fonte de irritação para os moradores vizinhos ao Parque Forest Hill, conhecido pela sua tranquilidade.
Cronologia de um Banimento Anunciado
A crise em Carmel não surgiu do dia para a noite. As reclamações dos moradores do norte da cidade, onde o parque está localizado e é cercado por casas, levaram o Conselho Municipal a iniciar discussões sobre a regulamentação do esporte. Em outubro, uma portaria de urgência foi implementada, proibindo os jogos até que se chegasse a um consenso sobre o uso de equipamentos silenciosos.
A Decisão Final e os Argumentos em Campo
Após quatro audiências públicas e intensa deliberação entre setembro e dezembro, a proibição foi selada. O conselho, orientado pela Procuradoria-Geral do município, votou por unanimidade pelo banimento do pickleball e outros esportes de raquete a partir de janeiro, tornando-se efetiva 30 dias depois.
Os debates foram acalorados. Defensores do pickleball, como a jogadora Suzie Curry, minimizaram as reclamações, atribuindo-as a “quatro ou cinco pessoas” e pedindo um “compromisso”. Um participante, Warn Anderson, chegou a apresentar um protótipo de raquete atenuadora de som, questionando: “Carros foram banidos por acidentes? Cães por dejetos?”.
Contudo, a perspectiva dos moradores era dramática. Uma vizinha não identificada, residente há 14 anos, relatou o impacto direto do barulho dentro de sua casa, lamentando ter investido “milhões de dólares” em um imóvel que agora corria risco de desvalorização devido ao incômodo sonoro. “Eu não comprei (a casa) ao lado de uma quadra de pickleball, mas de tênis. Vivo tempo o suficiente para saber a diferença”, desabafou.
Tentativas de Regulamentação Fracassadas
Antes da proibição, o município de Carmel tentou medidas paliativas. As quadras de tênis existentes foram redivididas para acomodar o pickleball, e os horários de jogo foram rigidamente limitados às terças, quintas e sábados, das 10h às 16h. No entanto, o conselheiro Jeff Baron destacou que estas restrições não foram respeitadas, com jogadores utilizando as quadras de tênis fora do horário, inclusive à noite.
Conflito Pessoal e o Futuro do Esporte
O drama da proibição alcançou até mesmo membros do Conselho. Bob Delves, praticante de pickleball, lamentou ter visto amigos pararem de falar com ele, afirmando que “pickleball virou sinônimo de conflito na nossa cidade”. Apesar de reconhecer a alegria do esporte, Delves ponderou que, para quem vive próximo, é apenas “pop, pop, pop”.
Alissandra Dramov, a única mulher no Conselho, resumiu o voto favorável à proibição com pragmatismo: “Há outros locais próximos que permitem jogar de forma gratuita. Em resumo, os cidadãos de Carmel by-the-sea vêm em primeiro lugar”. De fato, há outras quatro quadras na Escola Tularcitos onde o jogo ainda é permitido, reforçando a ideia de que a questão não é o banimento total do esporte na cidade, mas sim a proteção da tranquilidade residencial.
FAQ
P: Por que o pickleball foi proibido em Carmel-by-the-sea?
R: O pickleball foi proibido devido ao barulho excessivo e incessante das raquetes rebatendo a bolinha, que se tornou insuportável para os moradores vizinhos ao Parque Forest Hill, levando a inúmeras reclamações e audiências públicas.
P: Existem outras opções para jogar pickleball em Carmel-by-the-sea?
R: Sim, o pickleball ainda é permitido em outras quatro quadras localizadas na Escola Tularcitos, funcionando em horários específicos durante a semana e aos fins de semana. A proibição se aplica especificamente ao Parque Forest Hill.
P: Qual o impacto da proibição de Carmel para o futuro do pickleball em outras cidades?
R: A proibição de Carmel-by-the-sea serve como um precedente e um alerta para a necessidade de regulamentação proativa e soluções de mitigação de ruído em áreas urbanas. Isso pode impulsionar fabricantes a desenvolverem equipamentos mais silenciosos e pressionar as prefeituras a planejarem infraestrutura esportiva que minimize o impacto sonoro em comunidades residenciais.
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Fonte: https://www.estadao.com.br





