O tempo, para Rayssa Leal, passou na velocidade de um heelflip perfeito. Aquela menina de Imperatriz, no Maranhão, que encantou o mundo vestida de Fadinha, completa 18 anos já consolidada como uma verdadeira rainha do skate. Sua transição de um fenômeno viral para uma multicampeã global é marcada por conquistas impressionantes e um carisma que inspira milhões.
De Fadinha a Multicampeã: A Ascensão Meteórica
Em 2013, aos 7 anos, Rayssa Leal vestia uma fantasia de Sininho feita pela avó quando um vídeo seu realizando um heelflip na calçadaria de Imperatriz viralizou. O lendário Tony Hawk compartilhou a façanha, escrevendo: “Não sei nada sobre isso aqui, mas amei: uma fada dando um heelflip”. Mal sabia ele que estava apresentando ao mundo a futura estrela do skate.
Hoje, Rayssa acumula um currículo invejável antes mesmo de atingir a maioridade: duas medalhas olímpicas (prata em Tóquio 2020 e bronze em Paris 2024), bicampeã do X-Games (2022 e 2023), bicampeã mundial (2022 e 2024) e tetracampeã da Street League Skateboarding (SLS) em 2022, 2023, 2024 e 2025. Mais do que troféus, seu propósito é inspirar outras atletas. “Sou só o peão porque todas as peças ficam atrás. Tenho um time maravilhoso, que cuida de tudo para mim e, quando chego dentro da pista, só preciso andar de skate. Andar de skate é o que sei fazer de melhor”, afirmou Rayssa após seu tetra na SLS.
O Vínculo com Tony Hawk e o Apoio Incondicional
O encontro entre Rayssa e Tony Hawk se tornou um símbolo da união entre gerações no skate. O americano, dez vezes medalhista de ouro nos X-Games, não hesitou em descer da cabine de TV para tietar a então adolescente de 13 anos em Tóquio, chamando-a carinhosamente de “Toninho”, com sotaque nordestino. A lenda que popularizou o esporte nos anos 90 ajudou a impulsionar a Fadinha ao estrelato.
Além dos grandes nomes do esporte, Rayssa sempre contou com o apoio incondicional da família. Sua mãe, Lilian Mendes, conseguiu autorização especial para acompanhá-la em Tóquio 2020, um suporte fundamental que agora, com a maioridade, não será mais necessário da mesma forma, mas seguirá presente.
Novos Horizontes: Maioridade e Planos Futuros
Com 18 anos, Rayssa Leal inicia uma nova fase. Entre seus planos está tirar a carteira de motorista em Imperatriz, um marco de independência. Nos estudos, ela celebrou a conclusão do Ensino Médio e se divertiu ao encontrar uma questão do Enem que a mencionava – embora não tenha respondido por estar em competição.
As mudanças também são físicas. Mais alta, com 1,61m, e com maior massa muscular, Rayssa suporta melhor o ritmo intenso das competições. Outra novidade da maioridade é a possibilidade de competir sem capacete, conforme as regras da World Skate, um acessório que muitos atletas preferem dispensar.
Inspiração, Superação e um Legado em Construção
Rayssa Leal não é apenas uma competidora; ela é uma referência. Atletas como Duda Ribeiro, de 15 anos, e Funa Nakayama, de 20 anos (bronze em Tóquio), a veem como a “rainha do skate” e fonte de inspiração. Sua capacidade de superação é notável: no tetra da SLS, ela competiu com uma lesão no tornozelo direito, mantendo a calma com técnicas de respiração e autoafirmação: “Eu vou lá e só flip. É só isso. Está tudo bem. Eu já treinei isso. Eu já fiz isso. Você é f…”. Essa mentalidade a levou à vitória, superando as japonesas Coco Yoshizawa e Yumeda Oda.
Focada em suas paixões, Rayssa prioriza o skate, deixando em segundo plano projetos como um livro infantojuvenil e convites para documentários. Seu mais recente triunfo na SLS foi embalado pela música “Arriadin’ por Tu”, de João Gomes, Mestrinho e Jota.Pê, que virou a trilha sonora perfeita para a atleta que “brilha mais que uma constelação” nas pistas e na vida.





