Em reta final de preparação para a Copa do Mundo de 2026, o técnico Carlo Ancelotti abriu o jogo em entrevista, abordando temas cruciais para a Seleção Brasileira. Entre os assuntos, o futuro de Neymar na equipe e as vagas restantes na lista final ganharam destaque. O treinador italiano forneceu pistas importantes sobre sua base de jogadores e as dúvidas que ainda persistem em seu planejamento.
Neymar e as Vagas Restantes
A ausência de Neymar na última convocação antes da lista final levantou questionamentos, mas Ancelotti não descartou o maior artilheiro da história da Seleção. O apresentador Galvão Bueno sugeriu que o técnico já teria uma base de 18 jogadores garantidos, somando-se a eles três lesionados que devem integrar o grupo – Estevão, Militão e Bruno Guimarães –, totalizando 21 atletas. Segundo Galvão, se Neymar convencer o treinador, o número subiria para 22, restando apenas quatro vagas para a convocação final. Ancelotti confirmou o cenário de poucas vagas e a alta concorrência.
“Sim, são quatro vagas que aí, neste sentido, temos muitas dúvidas. Por isso, chamei nesta convocação jogadores novos, que não conheço muito bem. A dúvida pode ser um jogador da defesa, um par de jogadores no meio ou par na frente. A concorrência é muito alta, é muito grande, porque a sorte que tem a seleção é ter jogadores com muita qualidade, muito talento”, afirmou Ancelotti, indicando que as últimas escolhas serão as mais desafiadoras.
Os ‘Garantidos’ de Ancelotti
Embora tenha evitado cravar nomes para não excluir outros importantes, Ancelotti revelou um grupo de atletas que gozam de sua confiança e que, possivelmente, já têm seu lugar assegurado na lista final. Ele destacou a experiência, o caráter e a liderança desses jogadores, que formam a espinha dorsal da equipe.
“Falar de nomes é complicado, porque não quero deixar de fora outros que também são importantes. Mas, temos um bom ambiente na equipe, com jogadores que têm muita experiência, muito caráter, muita personalidade, muita liderança. Tem o Marquinhos, tem o Gabriel [Magalhães], Alisson, Casemiro, Vinícius, Rafinha, João Pedro, Matheus Cunha, Estevão, Andrey Santos. Todos jogadores que em meu primeiro ano aqui estão muito bem, estou muito contente, muito confiante para Copa do Mundo”, listou o treinador, sinalizando a base de sua equipe.
Carência nas Laterais e Versatilidade Tática
Ancelotti também tocou em um ponto de carência histórica recente da Seleção: as laterais. Desde a aposentadoria de ícones como Cafu, Roberto Carlos e Marcelo, a posição tem sido um desafio. “Creio que todo mundo sabe, falta o que nunca havia faltado: os laterais. O Brasil tinha laterais fantásticos como Cafu, Marcelo. Mas, agora há um pouco de carência, também a nível de jovens”, pontuou, mencionando Wesley, da Roma, como uma das promessas.
Para contornar essa situação, o técnico revelou sua flexibilidade tática, não hesitando em adaptar zagueiros à função. “Não tenho problema em colocar um zagueiro para jogar de lateral. Nem sempre o lateral precisa atacar. A coisa mais importante da equipe é o equilíbrio”, explicou. Ele citou Militão, Marquinhos e o testado Ibañez como exemplos de jogadores que podem oferecer esse equilíbrio defensivo quando necessário, especialmente diante de extremos adversários fortes no ataque.
DNA Brasileiro: Carnaval e Quatro Atacantes
Sobre a filosofia de jogo, Ancelotti reiterou seu desejo de construir uma Seleção que reflita o melhor do talento brasileiro, especialmente no setor ofensivo. A ideia é aproveitar a abundância de atacantes de qualidade que o Brasil possui, montando uma equipe com quatro homens na frente.
“Tem que construir um sistema de jogo com as características dos jogadores que você tem à disposição. Para a estrutura dos jogadores brasileiros hoje, dos jogadores que podem estar na convocação para jogar o Mundial, acho que a estrutura da equipe é colocar na frente quatro [atacantes]”, revelou. Ele ainda comparou o futebol brasileiro ao Carnaval, destacando a necessidade de unir talento, energia e alegria à organização tática. “Tudo isso temos que colocar na seleção: alegria, energia, talento e organização”, concluiu.
Esta Data FIFA representa a última chance para Ancelotti testar suas opções antes da convocação oficial para a Copa do Mundo de 2026, que será divulgada em 19 de maio. A Seleção Brasileira enfrentará a França na quinta-feira (26), às 17h (horário de Brasília), e a Croácia cinco dias depois (31), às 21h, ambos os jogos em solo estadunidense. A estreia no Mundial está marcada para 13 de junho contra Marrocos, seguida por confrontos com Haiti e Escócia na fase de grupos.





