O goleiro Bruno Fernandes, ex-Flamengo, teve seu pedido de habeas corpus negado nesta quarta-feira (18) pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ). Com a decisão, Bruno permanece foragido da Justiça há 13 dias, desde que sua liberdade condicional foi revogada. A defesa do ex-atleta alegava que a suspensão do benefício configurava um “constrangimento ilegal”, mas o requerimento foi rejeitado pela desembargadora Katya Maria Monnerat.
A Decisão do Tribunal
A desembargadora Monnerat justificou a negativa, apontando o que chamou de “descaso no cumprimento do benefício” por parte do apenado. Segundo a magistrada, apenas quatro dias após a concessão do livramento condicional, Bruno viajou para o estado do Acre sem a prévia autorização judicial. Essa atitude violou as determinações impostas pela Justiça, que exigiam que ele não saísse do estado do Rio de Janeiro.
No despacho, a desembargadora ressaltou que o apenado deve se adequar às regras de cumprimento da pena, e não o contrário. Ela também destacou que Bruno tinha ciência de todas as condições do benefício, não podendo alegar desconhecimento. Diante disso, o parecer ministerial foi acolhido, e o livramento condicional, concedido em janeiro de 2023, foi revogado. Um mandado de prisão, no regime semiaberto, com validade de 16 anos, foi expedido.
Mandado de Prisão e Busca
A situação de Bruno como foragido teve início em 5 de março, quando a Vara de Execuções Penais expediu o mandado de prisão. A decisão ocorreu após a constatação de que ele não se apresentou para retornar ao regime semiaberto, descumprindo uma das exigências da liberdade condicional. Ele teria viajado ao Acre em fevereiro para atuar por um time local, o Vasco da Gama do Acre, sem a permissão necessária.
Na última semana, a Polícia Civil do Rio de Janeiro, em parceria com o Disque Denúncia, divulgou um cartaz de “procurado” com a imagem do ex-goleiro, pedindo a colaboração da população para localizá-lo. Informações que possam auxiliar na prisão podem ser repassadas de forma anônima pelos telefones (21) 2253-1177 (também via WhatsApp) ou 0300 253 1177. Enquanto é procurado, Bruno removeu suas contas das redes sociais. Até o momento, a defesa do ex-goleiro não se manifestou.
Relembre o Caso Bruno
Bruno Fernandes, que foi capitão do Flamengo e cotado para a seleção brasileira, foi condenado a 23 anos e um mês de prisão por homicídio, ocultação de cadáver, sequestro e cárcere privado de Eliza Samúdio, sua ex-modelo, em 2010. O corpo de Eliza nunca foi encontrado.
Em 2018, Bruno obteve progressão para o regime semiaberto por bom comportamento e chegou a atuar por diversas equipes de menor porte, como Boa Esporte, Poços de Caldas, Rio Branco-AC e Atlético Carioca, onde encerrou sua carreira profissional em 2021. Em liberdade condicional desde janeiro de 2023, o ex-goleiro tentou retornar ao futebol em equipes amadoras, mas enfrentou rejeição de torcedores e patrocinadores.





