Em meados da década de 2000, a realidade do torcedor palmeirense era de angústia e frustração. Lances bizarros, protestos da “turma do amendoim” e campanhas vergonhosas, incluindo quedas para a segunda divisão, eram a tônica de um clube que parecia preso em um ciclo de fracassos, enquanto seus rivais celebravam grandes títulos. Um passado nem tão distante que, diante da atual potência, beira o surrealismo.
A Virada de Chave com Paulo Nobre
A transformação começou a tomar forma com a chegada de Paulo Nobre à presidência em 2013. Torcedor fanático, o empresário assumiu o clube em um momento delicado: o time estava na Série B e sem estádio, devido às obras do Allianz Parque. Nobre iniciou a organização da casa, sanando dívidas e investindo R$ 200 milhões do próprio bolso para reforçar o elenco e evitar um novo rebaixamento em 2014, já com o Allianz Parque inaugurado.
Foi a partir dali que a sorte do Palmeiras mudou. Com as finanças controladas, a parceria com a Crefisa impulsionou a contratação de nomes de peso como Dudu e jogadores experientes como Zé Roberto. O ano de 2015 terminou com o título da Copa do Brasil, conquistado nos pênaltis contra o Santos, garantindo uma vaga na Libertadores de 2016. Em seu último ano de mandato, 2016, Nobre viu o Palmeiras encerrar um jejum de 22 anos e levantar a taça do Campeonato Brasileiro, consolidando seu nome como um dos presidentes mais importantes da história do clube.
A Consolidação sob Maurício Galiotte
Com a saída de Nobre, Maurício Galiotte assumiu a presidência, marcando a consolidação do Palmeiras como um constante brigador por títulos. Sua gestão fortaleceu o Allianz Parque como a casa do Verdão, palco de viradas históricas e resultados marcantes. Foi sob Galiotte que o clube conquistou a inédita sequência de duas Libertadores (2020 e 2021), além de outro Brasileirão (2018), uma Copa do Brasil (2020) e um Paulista (2020).
A contratação de Abel Ferreira foi outro ponto crucial de sua gestão. O técnico português deu uma identidade tática clara ao Palmeiras, transformando-o em uma máquina de resultados e permanecendo no comando até hoje, um feito raro no futebol brasileiro.
Leila Pereira e a Manutenção do Domínio
Leila Pereira assumiu a presidência no final de 2021, dando continuidade à era de ouro do Palmeiras. Sob seu comando, o clube manteve a hegemonia, chegando de forma consecutiva aos mata-matas da Libertadores e acumulando mais títulos expressivos. O mandato de Leila, que se estende até o fim de 2027, já rendeu dois Campeonatos Brasileiros, quatro Paulistas, uma Supercopa do Brasil e uma Recopa Sul-Americana, demonstrando a manutenção do altíssimo nível competitivo.
O Palmeiras como Potência Continental
A consolidação do Palmeiras nesse período o transformou em um adversário temido na Libertadores da América. Além dos títulos de 1999, 2020 e 2021, o clube se tornou um frequentador assíduo das fases finais do torneio. Desde 2016, quando parou na primeira fase, o Verdão tem sido presença constante: oitavas em 2017, semifinal em 2018, quartas em 2019, e semifinais em 2022 e 2023. Com sete finais disputadas em sua história (1961, 1968, 1999, 2000, 2020, 2021 e outra final recente), o Palmeiras é o clube brasileiro que mais vezes disputou o torneio, totalizando 26 edições com a participação de 2026. Essa trajetória transformou o Palmeiras em uma verdadeira potência, temida por qualquer adversário no cenário sul-americano.




