A Copa do Mundo de 2026, que será sediada por México, Estados Unidos e Canadá, enfrenta sérias ameaças de boicote e protestos que podem impactar diretamente sua realização. No México, a recém-eleita presidente Claudia Sheinbaum é alvo de alertas de organizações agrícolas que prometem mobilizações massivas. Paralelamente, a Alemanha, uma das seleções mais vitoriosas da história, avalia a possibilidade de não participar do mundial devido às tensões geopolíticas envolvendo o presidente dos EUA, Donald Trump, e suas declarações sobre a Groenlândia.
Ameaças no México: Agricultores Contra a Copa de 2026?
Organizações ligadas ao setor agrícola mexicano, como a Frente Nacional para o Resgate do Campo Mexicano, têm emitido alertas de protestos e possíveis bloqueios de rodovias caso o governo de Claudia Sheinbaum não promova mudanças significativas na política agroalimentar. O grupo critica pontos do T-MEC (acordo comercial entre México, EUA e Canadá), alegando que as regras atuais levam pequenos produtores à falência enquanto beneficiam grandes empresas e o agronegócio internacional.
Em entrevista ao site Infobae, Eraclio Rodríguez, dirigente do movimento, afirmou que, sem uma resposta governamental, ações mais duras poderão ocorrer durante o Mundial de 2026. “Se fizermos um boicote, não vamos prejudicar o povo. Vamos atingir os ricos que vêm para esses eventos. Tomamos as rodovias e acabou a Copa. Nem precisamos ir aos estádios”, declarou Rodríguez, enfatizando que a intenção é pressionar setores econômicos que lucram com grandes eventos, enquanto os agricultores enfrentam dificuldades.
O Frente Nacional também questiona os altos custos dos ingressos da Copa, que, segundo Rodríguez, excluirão grande parte da população local, criando um contraste com a luta dos agricultores por preços justos para suas colheitas. Até o momento, o governo de Sheinbaum não se pronunciou sobre as ameaças, que acendem um alerta sobre a visibilidade internacional e os investimentos envolvidos no evento.
Alemanha Avalia Boicote por Tensões Geopolíticas com Trump
Do outro lado do Atlântico, a Alemanha, tetracampeã mundial, considera a possibilidade de não disputar a Copa do Mundo de 2026. A decisão estaria fundamentada nas recentes declarações e ameaças do ex-presidente e atual candidato à presidência dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a anexação da Groenlândia.
“Se Donald Trump cumprir suas ameaças sobre a Groenlândia e desencadear uma guerra comercial com a UE, me custa imaginar que países europeus participem da Copa do Mundo”, disse o deputado conservador Roderich Kiesewetter ao jornal Augsburger Allgemeine, sinalizando a seriedade da questão.
Trump tem demonstrado interesse em “assumir o controle” da Groenlândia, citando razões de segurança nacional e a presença de navios russos e chineses na região. Ele chegou a questionar a legitimidade do controle dinamarquês sobre o território, criticando a postura da Dinamarca perante a OTAN e invocando uma “Doutrina Don-roe”. A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, respondeu enfaticamente que o governo estadunidense “não tem direito de anexar” o território.
O Impacto Global no Mundial de 2026
As ameaças de boicote no México e a possível ausência da Alemanha evidenciam como eventos esportivos de grande porte, como a Copa do Mundo, estão cada vez mais suscetíveis a pressões políticas e sociais. Enquanto questões domésticas e acordos comerciais geram descontentamento entre os agricultores mexicanos, as tensões geopolíticas globais podem afastar nações de peso do cenário esportivo, lançando uma sombra de incerteza sobre a organização e o prestígio do próximo Mundial.





