Carlo Ancelotti, técnico da Seleção Brasileira, divulgou a lista final dos jogadores convocados para a Copa do Mundo de 2026 nesta segunda-feira (18), em evento no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro. A grande novidade foi a inclusão de Neymar, que apareceu pela primeira vez em uma convocação sob o comando do italiano. Mais do que isso, Ancelotti revelou uma ousada estratégia tática para o camisa 10: utilizá-lo como um “falso 9”, prometendo uma mudança significativa na dinâmica ofensiva da equipe.
Neymar como “Falso 9”: A Nova Dinâmica Ofensiva
Em coletiva de imprensa após o anúncio dos 26 nomes, Ancelotti foi enfático sobre seus planos para Neymar. O treinador indicou que o craque atuará na função de “falso 9”, o que significa que ele partirá da posição de centroavante, mas recuará constantemente para o meio-campo para participar da armação das jogadas, em vez de se manter fixo na área adversária. Essa movimentação cria um dilema para os zagueiros: se o marcarem, abrem espaços cruciais na área para as infiltrações de jogadores velozes como Vinícius Jr. e Raphinha pelas pontas. Se optarem por ignorá-lo, Neymar ganha liberdade total para criar, distribuir passes e finalizar.
Além de confundir a defesa adversária, a posição de “falso 9” para Neymar gera superioridade numérica no meio-campo, facilitando a posse de bola e a construção de jogadas. Essa estratégia também alivia o camisa 10 de intensas funções defensivas, o que pode ser crucial para sua minutagem e desempenho ao longo do torneio, considerando seu histórico de lesões. No entanto, Vini Jr. e Raphinha teriam a responsabilidade de compensar a ausência de Neymar na recomposição defensiva.
A História do “Falso 9” no Futebol
A função de “falso 9” não é uma invenção recente no futebol. Uma das demonstrações mais icônicas ocorreu em 2009, quando o Barcelona de Pep Guardiola goleou o Real Madrid por 6 a 2 no Santiago Bernabéu. Naquela ocasião, Guardiola escalou Lionel Messi como “falso 9” após perceber que os zagueiros merengues não pressionavam os centroavantes. Messi recuava constantemente, deixando os defensores sem referência e abrindo caminho para as investidas de Henry e Eto’o.
No Brasil, um conceito similar já era aplicado muito antes. No São Paulo bicampeão mundial de Telê Santana, o meio-campista Palhinha frequentemente recuava para organizar o jogo, permitindo que Raí avançasse como pivô e Müller explorasse as diagonais no ataque. Sem um centroavante fixo, o time tricolor operava com uma dinâmica ofensiva que estava à frente de seu tempo.
Caminho para o Mundial de 2026
Os 26 jogadores convocados por Ancelotti para a Copa de 2026 se apresentarão a partir do dia 27 de maio, na Granja Comary, para iniciar a preparação visando o Mundial. Antes de viajar para os Estados Unidos, a seleção fará um amistoso de despedida contra o Panamá, no Maracanã, no domingo (31). Posteriormente, o Brasil enfrentará o Egito em Cleveland, no dia 6 de junho, antes da estreia oficial no torneio. A expectativa é grande para ver como a nova função de Neymar irá se encaixar e impulsionar as ambições da Seleção Brasileira na busca pelo hexacampeonato.





