O Santos se prepara para um reencontro carregado de simbolismo e tensão neste domingo (16), ao visitar o Vasco em São Januário. O palco é o mesmo que marcou, em 30 de março de 2025, a reestreia do Peixe na Série A após a inédita e amarga passagem pela segunda divisão. Naquela ocasião, o Alvinegro Praiano perdeu de virada por 2 a 1 para os cariocas. Contudo, o que mais repercutiu na época não foi a derrota em si, mas a reação furiosa do presidente do clube, Marcelo Teixeira, que classificou o resultado como “inadmissível”.
A Fúria ‘Inadmissível’ do Presidente e Suas Repercussões
Naquele fatídico dia, Marcelo Teixeira não poupou palavras ao expressar sua indignação. “O time se apresentou relativamente bem, mas perdemos três pontos. Aqui era inadmissível o Santos iniciar uma campanha, em que quer ser protagonista e quer ficar na primeira página do campeonato, vir aqui, com todo o respeito ao Vasco, mas era um jogo para três pontos”, esbravejou o dirigente, apontando “falhas gravíssimas”. Com o passar das semanas, a declaração se tornou alvo de críticas, vista como uma falta de percepção da realidade do elenco santista no retorno à elite, especialmente contra um rival tradicional e em um contexto de reestruturação do clube.
A fala de Teixeira foi resgatada e viralizou nas redes sociais mais de quatro meses depois, em 17 de agosto de 2025, após a goleada do Vasco por 6 a 0 sobre o Santos, no MorumBIS, pela 20ª rodada. Aquela derrota, a pior da carreira de Neymar, deu início a uma sequência de resultados que levaria o Santos a brigar novamente contra o rebaixamento até as rodadas finais da competição.
O Cenário Atual: Luta Pela Sobrevivência e Futuro Político
A poucos meses do fim do mandato de Marcelo Teixeira, o Santos retorna a São Januário longe do protagonismo que o dirigente vislumbrou. Com 22 pontos, a equipe está na zona do rebaixamento e fará um confronto direto crucial com o Vasco, que possui a mesma pontuação e só fica atrás do Peixe pelo saldo de gols. A partida, válida pela 23ª rodada, tem peso de decisão para ambos os clubes.
O dirigente, que ainda não confirmou se concorrerá a um novo mandato em dezembro, vê seu prestígio diretamente atrelado à manutenção na elite nacional. Embora o Santos siga vivo em outros dois torneios, Copa do Brasil e Sul-Americana, uma segunda queda à Série B seria desastrosa para Teixeira. Eleito em 2023 para suceder Andres Rueda, com a promessa de recolocar o clube no topo após o inédito rebaixamento, Teixeira chegou a anunciar a retirada da camisa 10 de Pelé da disputa da Série B, declarando: “Vamos reconstruir o Santos e reconduzir o time ao seu devido lugar e patamar de vanguarda, de um clube vencedor.”
Da Esperança à Dura Realidade da Série A
No primeiro ano de seu atual mandato, o Santos cumpriu o planejado, conquistando o título da Série B e alcançando a final do Campeonato Paulista, feito que não ocorria desde 2016. Para o ano do retorno à elite nacional, repatriou Neymar, em uma apresentação de gala que gerou grande expectativa. No entanto, a “rotina de sofrimento” na Série A rapidamente se tornou a realidade. Após escapar por pouco da queda em 2025, apenas na última rodada, o clube repete a trajetória de risco na atual edição. Para agravar a situação, o Santos está proibido pela Fifa de contratar reforços na atual janela de transferências devido a uma dívida com o Monaco e enfrenta atrasos no pagamento de direitos de imagem ao elenco.
A percepção do próprio dirigente mudou drasticamente. Em maio, Teixeira admitiu em entrevista à “Peixão TV” o temor por um novo rebaixamento. “É um receio, sempre existe, né? Porque o time não apresenta a reação que todos nós gostaríamos. Pode ser que apresente e que melhore? Pode até ser”, disse, referindo-se ao atual técnico, que substituiu o argentino Juan Pablo Vojvoda.
Histórico Recente e o Peso do Confronto Direto
Se o torcedor santista tem péssimas memórias dos duelos contra o Vasco no ano passado, o primeiro turno do atual Brasileirão trouxe um alívio. A equipe venceu por 2 a 1 na Vila Belmiro, pela quarta rodada, em uma das melhores atuações de Neymar desde seu retorno, com dois gols. A partida também foi marcada por desavenças entre Neymar e o capitão vascaíno Thiago Mendes, com o santista chamando o rival de “babaca” e relembrando um histórico de confrontos na França.
Os últimos seis duelos entre as equipes no Rio de Janeiro mostram um cenário de equilíbrio, com três vitórias para cada lado. A última vitória santista na casa do rival foi em 2024, ano da queda para a segunda divisão, com um gol de Deivid Washington. O Santos ainda busca a primeira vitória no segundo turno do Brasileirão, tendo conquistado apenas um ponto em dois jogos (empate com a Chapecoense e derrotas para o Athletico). Agora, no primeiro duelo como visitante nesta parte da competição, Marcelo Teixeira e a torcida santista esperam um novo roteiro para, quem sabe, voltar a sonhar com o tão almejado “protagonismo”.




