O Palmeiras atravessa seu pior momento desde a retomada do calendário após a Copa do Mundo. A derrota por 3 a 2 para o Fluminense, no último sábado (15), no Maracanã, estendeu para quatro partidas a sequência sem vitória e expôs dificuldades que vêm acompanhando a equipe nas últimas semanas. Apesar de o cenário ainda estar distante de ser irreversível – o Verdão lidera o Campeonato Brasileiro, está nas quartas de final da Copa do Brasil e segue vivo na Libertadores – a margem para novos tropeços diminuiu consideravelmente.
Queda de Rendimento e Ameaça Rubro-Negra
Os números ajudam a dimensionar a queda do desempenho palmeirense. Antes da pausa para a Copa do Mundo, o Palmeiras somava 41 pontos em 18 rodadas do Brasileirão, com sete pontos de vantagem sobre o Flamengo e um aproveitamento de 75,9% dos pontos disputados. Desde a retomada, o desempenho no campeonato caiu drasticamente: foram cinco partidas, com apenas duas vitórias, um empate e duas derrotas, totalizando sete pontos em 15 possíveis, um aproveitamento de 46,7%. Atualmente, a equipe soma 48 pontos em 23 jogos.
Além da queda de rendimento, o Flamengo se tornou uma ameaça muito mais concreta. O Rubro-Negro tem 42 pontos e apenas 21 partidas disputadas. Isso significa que, apesar dos seis pontos de diferença na classificação, os cariocas possuem dois jogos a menos e podem alcançar a pontuação palmeirense caso vençam ambos, contrastando com o início do período pós-Copa, quando o Palmeiras retornou com sete pontos de frente e maior controle da disputa.
Da Retomada Promissora à Sequência sem Vitórias
A retomada do calendário chegou a transmitir uma impressão diferente. Em 22 de julho, o Palmeiras venceu o Coritiba por 3 a 1, fora de casa, com uma formação elogiada por Abel Ferreira, mesmo com desfalques. O primeiro alerta, no entanto, veio quatro dias depois, com a derrota por 2 a 1 para o Atlético-MG em casa, onde a equipe teve posse, mas pouca agressividade e dificuldades para criar chances.
A reação veio com a goleada por 4 a 0 sobre o Vitória e uma boa vantagem nas oitavas da Copa do Brasil ao fazer 3 a 0 no Fortaleza. Contudo, essa vitória contra o Fortaleza permanece como a última do time na temporada. Desde então, são quatro jogos sem vencer: empate no jogo de volta da Copa do Brasil contra o Fortaleza (garantindo a classificação), empate em 0 a 0 com o Internacional pelo Brasileiro, empate em 1 a 1 com o Cerro Porteño pela Libertadores e, por fim, a derrota por 3 a 2 para o Fluminense. No total, desde o retorno da Copa, são oito partidas, com três vitórias, dois empates e três derrotas. O desempenho como mandante também preocupa, com apenas uma vitória em quatro jogos em seu estádio após a pausa.
Falhas Individuais e Pressão sobre Abel Ferreira
A oscilação coletiva trouxe jogadores importantes para o centro das críticas. O goleiro Carlos Miguel, por exemplo, teve participação decisiva em gols sofridos contra Atlético-MG e Cerro Porteño, este último nos acréscimos, custando uma vantagem importante na Libertadores. O setor ofensivo também preocupa, com Vitor Roque sem marcar há 160 dias e ainda não balançando as redes desde seu retorno de lesão. As laterais, com Giay, Piquerez e Arthur, também foram alvo de avaliações negativas na derrota para o Fluminense, que explorou esses espaços para virar o jogo.
O meia Mauricio, autor de um dos gols palmeirenses, reconheceu o momento: “A gente não pode estar desligado nesses momentos, ainda mais que ficou na frente duas vezes, não pode dar essa brecha. Em dois lances eles foram felizes, infelizmente essa é a má fase que a gente está passando. Mas a gente tem que continuar trabalhando, trabalhar ainda mais, e quarta-feira temos uma decisão muito importante”.
A pressão também se voltou para Abel Ferreira. Além dos resultados, questiona-se a dificuldade do treinador em fazer um elenco valorizado apresentar um desempenho à altura. Comentaristas como Mauro Cezar Pereira apontaram que o Palmeiras “está jogando nada em lugar nenhum”, criticando o repertório ofensivo. A relação com a torcida, que já teve desgastes, também se viu em pauta com uma mensagem da Mancha Verde, inicialmente interpretada como crítica ao treinador. Abel, por sua vez, admitiu o mau momento, mas rejeitou a ideia de uma temporada comprometida, lembrando que o Palmeiras ainda lidera o Brasileiro e está vivo nas copas.
Libertadores: O Teste Decisivo em Assunção
É justamente a Libertadores que pode determinar a temperatura dos próximos dias. O Palmeiras enfrenta o Cerro Porteño na quarta-feira (19), às 19h (de Brasília), no Estádio General Pablo Rojas, em Assunção. Após o empate por 1 a 1 em São Paulo, uma vitória garante a classificação às quartas de final. Um novo empate leva a decisão para os pênaltis, enquanto uma derrota elimina o Verdão.
O histórico recente contra o adversário paraguaio aumenta o alerta. Palmeiras e Cerro já se enfrentaram três vezes nesta Libertadores, e o time de Abel ainda não venceu, com um empate em Assunção na fase de grupos, uma vitória paraguaia por 1 a 0 em São Paulo e o empate no primeiro confronto das oitavas. O jogo de ida também deixou sinais preocupantes, com o Palmeiras tendo dificuldades para desmontar a defesa adversária, mesmo com 20 finalizações, e a falha de Carlos Miguel nos acréscimos impedindo uma vantagem antes da viagem.
A situação ainda está longe de representar uma temporada perdida. O Palmeiras permanece na liderança do Brasileiro e já alcançou as quartas da Copa do Brasil. No entanto, o cenário mudou significativamente desde a Copa do Mundo. A equipe que retornou ao calendário com sete pontos de vantagem na liderança e três frentes abertas chega à segunda metade de agosto pressionada pelo Flamengo, sem vencer há quatro jogos e obrigada a buscar fora de casa sua permanência na principal competição continental. A resposta em Assunção, portanto, terá peso maior do que uma simples vaga nas quartas de final, sendo a primeira oportunidade de interromper uma sequência que transformou uma posição de controle em um momento de intensa pressão.




