Em 26 de agosto, data que curiosamente coincidiu com o aniversário do rival Palmeiras, o conselheiro do São Paulo Futebol Clube, Carlos Henrique Sadi, concedeu uma entrevista ao canal São Paulo Digital que gerou ampla repercussão e indignação. Suas declarações foram qualificadas como asquerosas, nojentas, preconceituosas e elitistas, reacendendo debates sobre o perfil da política interna do clube.
Durante a entrevista, Sadi expressou com clareza o que pensa, em um tom que muitos compararam a episódios anteriores de elitismo e preconceito dentro do próprio São Paulo. A memória remete a figuras como Marco Aurélio Cunha, que ironizava o “passaporte corintiano” exibindo um bilhete de metrô na TV, e o ex-presidente Juvenal Juvêncio, que proferiu comentários preconceituosos contra a periferia da Zona Leste e Itaquera, após o Morumbi perder a abertura da Copa do Mundo para o estádio do Corinthians.
O agravante da situação reside no fato de que Carlos Sadi não é apenas mais um conselheiro. Ele é um nome cotado para assumir a vice-presidência do São Paulo, um dos maiores clubes do país, com uma torcida que abrange milhões de pessoas, muitas delas provenientes das camadas populares e das periferias. A possibilidade de um dirigente com tal perfil ocupar um cargo tão relevante levanta sérias questões sobre a representatividade e os valores que o clube deseja transmitir.
Diante das declarações, surge a dúvida se a retórica de Sadi reflete uma visão mais ampla dentro da cúpula são-paulina, talvez inspirando até mesmo mensagens como a da faixa “o mais popular”, vista em jogos no Morumbi, nas proximidades de Paraisópolis. A comunidade de torcedores de regiões como Zona Leste, Itaquera e Paraisópolis, que representam uma parcela significativa da massa tricolor, certamente se sente envergonhada e desrespeitada por tais posicionamentos. Há um repúdio generalizado a esses “lixos” que, segundo a crítica, representam a política aristocrática e patética do São Paulo Futebol Clube, gerando asco e desprezo entre os próprios são-paulinos que não compactuam com essa visão elitista.




