A recente mobilização de clubes, federações e sindicatos de atletas, que utilizam a expressão “O FIM DO FUTEBOL BRASILEIRO” para defender a manutenção da legislação atual sobre o patrocínio de casas de apostas (bets), tem gerado forte debate. Para o jornalista Vitor Guedes, essa postura é “vergonhosa” e revela a “desfaçatez” das entidades, especialmente ao citarem a “sobrevivência dos pequenos” como argumento, algo que, segundo ele, não condiz com a prática.
Guedes, que se declara cidadão, pai, jornalista e torcedor corintiano, critica a argumentação, que considera “patética” e que “flerta com a desonestidade intelectual”. Ele defende que, embora seja possível ter uma posição favorável à legislação atual, o modo como o argumento é apresentado é inaceitável. O jornalista aborda diversas polêmicas do futebol brasileiro, com foco no Corinthians, em seu canal BLOG DO VITÃO e em sua coluna.
O Debate sobre as Bets: Coerência e Hipocrisia
A discussão sobre o patrocínio das bets e outras empresas como a Fatal Fans no Corinthians é vista por Guedes como “necessária” para se chegar à melhor solução. Sua principal defesa é a coerência. Ele argumenta que, se a legislação permite a venda de cigarros para maiores de 18 anos, mas proíbe sua publicidade em camisas de futebol, a mesma lógica deveria ser aplicada à indústria do jogo e da prostituição. Para ele, a atual permissividade com as bets no esporte contrasta com a restrição a outros setores.
Gaviões da Fiel e a Polêmica da ‘Intervenção Já’
A principal torcida organizada do Corinthians, Gaviões da Fiel, que apoiou Augusto Melo nas últimas eleições presidenciais, tem se posicionado a favor da “intervenção” no clube e sobre outras questões políticas. Vitor Guedes é enfático ao afirmar que nada que venha de uma entidade presidida por alguém que apoia e faz campanha para um deputado do partido de Bolsonaro o representa. “Tenho asco, nojo e desprezo por tudo que o bolsonarismo representa e tenho orgulho de estar sempre na trincheira oposta”, declara.
Apesar de seu forte posicionamento político, Guedes diferencia sua visão pessoal da profissional, reproduzindo como jornalista o posicionamento da torcida sobre questões esportivas. No entanto, ele se manifesta radicalmente contrário ao pedido de “Intervenção Já” no Corinthians, campanha abraçada por diversas organizadas. Para ele, a ideia é uma “insanidade”, um “tiro no escuro”, pois não há como prever a competência ou as decisões de um interventor nomeado, que poderia, por exemplo, vender jovens promessas sem considerar a peculiaridade do futebol.
SAFiel: Entre a Dúvida e o Alerta contra o ‘Pior Não Fica’
Sobre a proposta da SAFiel, a transformação do Corinthians em Sociedade Anônima do Futebol, Guedes não é radicalmente contrário como à intervenção, mas manifesta “muitas dúvidas”. Ele questiona o modelo, as pessoas por trás da iniciativa e alerta que, uma vez feita, a mudança não tem volta. O jornalista lembra que os dois clubes mais ricos e bem-sucedidos da atualidade, Flamengo e Palmeiras, não são SAFs.
Ele enfatiza que sua postura não significa satisfação com o atual modelo associativo do Corinthians. Pelo contrário, mas ele rejeita a “lógica Tiririca” de que “pior do que está não fica”. Guedes cita os exemplos de Augusto Melo no Corinthians e Jair Bolsonaro no país, ambos eleitos por pessoas que buscavam uma mudança radical, mas que, em sua avaliação, resultaram em situações problemáticas. Ele reitera que jamais emprestaria sua credibilidade para apoiar figuras como Augusto Melo ou André Negão.
O Fim da Escala 6×1: Luta por Justiça Social
Outro ponto de forte posicionamento de Vitor Guedes é sua total defesa do fim da escala de trabalho 6×1, que ele classifica como “abusiva e injusta”. Ele critica aqueles que defendem essa “exploração”, comparando-os a figuras históricas que se oporiam a avanços sociais como a abolição da escravatura, férias, 13º salário e licença-maternidade, e que apoiaram golpes políticos no Brasil.
Vitor Guedes conclui reafirmando sua identidade e a importância de zelar por seu nome, com orgulho de suas raízes na Zona Leste de São Paulo.




