O governo federal planeja uma reunião com clubes de futebol para discutir as implicações da Medida Provisória (MP) que proibiu a atuação de casas de apostas esportivas, as chamadas “bets”, no Brasil. A MP foi oficializada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na última sexta-feira (25), e o encontro visa avaliar soluções para minimizar os prejuízos financeiros que a medida pode causar às equipes.
O Ministro do Esporte, Paulo Henrique Perna Cordeiro, é o principal articulador dessa possível reunião. De acordo com informações divulgadas pela repórter Mayara Mariano, da GloboNews, o governo está empenhado em encontrar alternativas para os clubes. O diálogo entre membros do poder público e dirigentes de alguns clubes está previsto para acontecer na próxima semana.
O Fim do “Dinheiro Fácil”?
A proibição das bets representa, para muitos, o fim do “dinheiro fácil” no futebol brasileiro. Em entrevista ao iG, Amir Somoggi, especialista em finanças desportivas e sócio-fundador da Sports Value, criticou a dependência dos clubes em relação a essa fonte de receita. “Os clubes são muito responsáveis por terem ficado dependentes de uma única fonte de receita. As casas de apostas representam mais de um terço de toda a receita de marketing dos clubes, é muita dependência”, afirmou Somoggi.
Ele destacou a conveniência dessa receita: “É o que eu chamo do ‘easy money’, o dinheiro fácil. Por que os clubes iriam atrás de empresas de veículo, banco, telecomunicação, se o setor de apostas pagam tanto?”.
Falta de Diversificação e Previsibilidade
Somoggi também apontou que a decisão do governo não deveria ser uma surpresa, e que os clubes tiveram tempo para se preparar. “Os clubes poderiam ter sido mais inteligentes e terem diversificado, neste momento de aumento de receita, terem buscado novas fontes, porque já se sabia que, cedo ou tarde, elas (bets) seriam limitadas aqui no Brasil”, explicou o especialista.
Impacto Financeiro nos Clubes
Dados da Sports Value ilustram a dimensão do impacto. Em 2025, os maiores clubes do futebol brasileiro movimentaram um total de R$ 3,2 bilhões em receitas de marketing. Desse montante, cerca de R$ 1,1 bilhão, ou 34% do total, veio diretamente de casas de apostas. Considerando o faturamento total dos clubes, que ultrapassou R$ 15 bilhões em 2025, as casas de apostas representam, em média, 8% das receitas geradas. Esses números evidenciam a relevância das bets para a saúde financeira de diversas equipes e a urgência em encontrar novos caminhos.



