Inquérito da Polícia Civil aponta ‘trapalhada’ contratual em jogo do Sub-20 como indício de suspeitas na gestão do Tricolor Paulista.
Um inquérito da Polícia Civil que investiga um suposto esquema de desvio de dinheiro no São Paulo Futebol Clube levantou sérias suspeitas sobre o departamento de futebol do clube. O estopim para essa nova linha de investigação foi um incidente envolvendo uma substituição em uma partida da equipe Sub-20, ocorrida em 2025.
O foco da investigação é a entrada do atacante Gustavo Santana no jogo contra o Cuiabá, pelo Brasileirão Sub-20 de 2025. O jogador, que atualmente disputa a Copinha, estava no São Paulo por empréstimo do Cuiabá desde 2025. Embora tenha atuado por apenas seis minutos na partida em questão, essa breve participação teve um custo significativo para o clube paulista: R$ 1 milhão. A razão é que Santana tinha seus direitos vinculados ao Cuiabá e, por questões contratuais, não poderia atuar contra o clube de origem sem ativar uma multa.
O delegado Tiago Fernando Correia, da 3ª Divisão de Investigações sobre Crimes contra a Administração e Combate à Lavagem de Dinheiro (Dicca), destacou a gravidade do ocorrido. “O jogador atuou por apenas seis minutos, ativando a referida multa em prejuízo ao São Paulo, que então foi acionado na Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD) da CBF, caso que, convenhamos, reforça as suspeitas sobre a gestão do departamento de futebol”, escreveu Correia, conforme apuração.
O São Paulo possuía uma opção de compra por 70% dos direitos de Santana, avaliada em R$ 700 mil. No entanto, a concretização desse negócio estava condicionada à quitação da multa. Segundo informações, houve um acordo entre os clubes, e o pagamento de uma parcela já foi efetuado neste mês. Apesar das evidências levantadas no inquérito, o São Paulo nega qualquer irregularidade.
Histórico de Investigações no Clube
Esta não é a primeira vez que o departamento de futebol do São Paulo se vê sob o escrutínio de investigações. Em 2015, o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) já havia solicitado esclarecimentos ao clube após o vazamento de um áudio que mencionava desvios na compra do zagueiro Iago Maidana para as categorias de base. Naquela ocasião, o departamento jurídico são-paulino alegou normalidade na transferência, e a investigação não avançou. Contudo, o episódio gerou uma crise interna que culminou na renúncia do então presidente Carlos Miguel Aidar, pressionado politicamente.





