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A Derrocada de Júlio Casares: A Linha do Tempo da Crise que Leva o São Paulo FC ao Limite do Impeachment e Dívida Recorde

A derrocada de júlio casares: a linha do tempo da crise que leva o são paulo fc ao limite do impeachment e dívida recorde

Júlio Casares, presidente do São Paulo Futebol Clube, vive o momento mais crítico de sua gestão, uma situação impensável no final de seu primeiro mandato, em 2023, quando foi reeleito sem oposição. Agora, o mandatário pode ser afastado provisoriamente em um processo de impeachment, que expõe uma série de turbulências políticas e financeiras sem precedentes na história recente do clube.

A Ascensão e os Títulos que Selaram a Reeleição

Eleito em dezembro de 2020 para o triênio 2021-2023, Casares iniciou sua trajetória na presidência com o pé direito. Em 2021, o São Paulo encerrou um jejum de 16 anos ao conquistar o Campeonato Paulista. O ápice veio em 2023, com o inédito título da Copa do Brasil. Com o apoio massivo do Conselho Deliberativo e os bons resultados em campo, Casares articulou e aprovou a possibilidade de reeleição.

Em dezembro de 2023, a consolidação de seu poder parecia completa. Sem adversários, ele foi aclamado para um segundo mandato com 194 votos, contra apenas 30 em branco e 10 nulos. Na época, Casares expressou otimismo: “Há três anos eu dizia que a preocupação não era apenas deixar um quadro na parede, mas deixar um legado. Nós assumimos com uma dificuldade da pandemia, uma incerteza quanto às dívidas, mas o futebol respondeu. A gestão continua e tenho convicção de que o São Paulo tem muito a percorrer”.

A Queda: Resultados Pífios e Crise Financeira Recorde

O cenário, contudo, mudou drasticamente em 2024. Os resultados em campo não vieram, e o time foi eliminado nas quartas de final do Paulistão (para o Novorizontino), da Copa do Brasil (para o Atlético-MG) e da Libertadores (para o Botafogo). As críticas se intensificaram, especialmente em relação às contratações, sob a responsabilidade do então diretor Carlos Belmonte, questionadas pelo alto custo e baixo retorno.

Paralelamente à performance esportiva, a situação financeira do clube se deteriorou. O balanço de 2024 revelou um déficit anual de R$ 287 milhões, elevando a dívida total do São Paulo para R$ 968,2 milhões, a maior da história do clube. O futebol, ironicamente, era o setor que mais pesava nos cofres.

Bastidores Turbulentos e o Início das Rupturas Políticas

Em meio à crise financeira e aos maus resultados, o apoio a Casares começou a se dissolver. Atritos internos surgiram, especialmente quando o presidente demonstrou preferir outros nomes, como Olten Ayres de Abreu Júnior (presidente do Conselho Deliberativo) ou Márcio Carlomagno (superintendente geral), como possíveis sucessores em detrimento de Carlos Belmonte. A tensão era tamanha que até o técnico Hernán Crespo, em momentos distintos, fez declarações que evidenciavam a crise interna, mencionando “surpresas constantes” e a necessidade de uma “mudança profunda” no clube.

A ruptura com Belmonte se concretizou com sua saída da diretoria. No entanto, mesmo como conselheiro, Belmonte ainda aprovou o polêmico orçamento da gestão para 2026, que incluía um déficit acumulado de janeiro a novembro e um custo de R$ 3,5 milhões para uma festa junina. A proposta foi aprovada por uma margem mínima de apenas cinco votos, sinalizando a fragilidade do apoio a Casares.

O Impeachment Ganha Força e o Futuro Incerto

Essa “vitória” no orçamento foi a última de Casares. Dias depois, 57 conselheiros protocolaram um pedido de impeachment. As acusações são graves: má gestão orçamentária, venda de atletas por valores abaixo do mercado e o uso irregular de um camarote do MorumBis por integrantes da gestão, incluindo Mara Casares e Douglas Schwartzmann, que se licenciaram e são investigados. O caso escalou para a Polícia Civil, que já investigava o clube por desvios em contratos.

O movimento pelo impeachment ganhou força, inclusive entre antigos apoiadores, como Vinicius Pinotti, ex-consultor da presidência e agora nome da oposição para a próxima eleição. Apesar de um parecer do Conselho Consultivo recomendar a não aprovação do afastamento, o documento não é determinante e a debandada de apoio continuou. O próprio “Grupo Participação”, base de Casares, comunicou oficialmente seu desligamento da coalizão “Juntos Pelo São Paulo”, recomendando aos conselheiros que compareçam e votem no processo.

Para que Casares seja afastado provisoriamente, são necessários no mínimo 191 votos (75% dos conselheiros). Caso isso ocorra, uma Assembleia Geral de sócios deverá ser convocada em até 30 dias para ratificar a decisão, necessitando apenas de maioria simples. Se afastado em ambas as instâncias, Casares será banido do clube. A renúncia, por outro lado, permitiria que ele se mantivesse no Conselho Consultivo, em um cenário semelhante ao vivido pelo ex-presidente Carlos Miguel Aidar em 2015.

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