O Sport Club Corinthians Paulista recebeu a aprovação da Caixa Econômica Federal para realizar a substituição da gestora Reag na administração do fundo responsável pela gestão contábil da Neo Química Arena. A Reag, que se tornou alvo de investigações na Operação Carbono Oculto e teve sua liquidação decretada pelo Banco Central na última quinta-feira, 15 de fevereiro, será substituída por uma nova empresa, cujos nomes não foram detalhados.
Em comunicado oficial divulgado nesta sexta-feira, o clube alvinegro informou que já estava articulando os trâmites para essa troca desde agosto do ano passado, antecipando-se à liquidação da Reag. A medida foi tomada após o Corinthians avaliar “riscos regulatórios relacionados à atuação da administradora”, indicando uma postura proativa em relação à conformidade.
A Contratação da Reag e os Riscos Agravados
A Reag havia sido integrada à estrutura do Fundo Arena em 2022, por meio de um acordo firmado entre o Corinthians e a Caixa Econômica Federal, durante a gestão do então presidente Duílio Monteiro Alves. A gestora financeira tinha a responsabilidade de garantir o fluxo de repasse dos valores arrecadados pelo clube ao banco estatal, referentes à dívida da construção do estádio em Itaquera, que hoje soma aproximadamente R$ 655 milhões.
As preocupações com a Reag se intensificaram após a empresa ser envolvida na Operação Carbono Oculto, do Ministério Público Federal, onde é apontada como suspeita de criar fundos de investimento com o objetivo de blindar o patrimônio do Primeiro Comando da Capital (PCC), acusação que a empresa nega. Posteriormente, seu nome também foi associado a alegadas fraudes no Banco Master, culminando na sua liquidação pelo Banco Central.
Passos para a Substituição e Exigências Regulatórias
O processo de rompimento com a Reag e a busca por um substituto dependiam de uma série de burocracias a serem tratadas com a Caixa. Conforme o Corinthians, foi cumprido um “processo rigoroso de compliance e diligência”, que incluiu a apresentação de uma lista de potenciais novos administradores e gestores à Caixa para aprovação.
Com a finalização da análise por parte da Caixa Econômica Federal, o Corinthians agora formalizará junto à Reag a solicitação de transferência da administração para o novo gestor administrativo e para o novo gestor dos fundos operacionais. Após a efetivação dessa transferência, será necessária a aprovação da CVM (Comissão de Valores Mobiliários) para que todos os trâmites regulatórios sejam integralmente concluídos. O clube reitera que atuou em conformidade com as exigências, visando a boa governança.
Investigações do Ministério Público sobre a Reag
A contratação da Reag para a gestão contábil da Neo Química Arena já estava sob investigação do Ministério Público de São Paulo (MP-SP). Em 6 de janeiro, o promotor Cássio Roberto Conserino solicitou à Polícia Federal (PF) a instauração de um inquérito para apurar as circunstâncias e a regularidade da inserção da empresa no acordo com a Caixa. Conserino é o mesmo promotor responsável por investigar o caso de uso indevido de cartões corporativos por ex-dirigentes do Corinthians.
No ofício enviado à Superintendência da PF, o promotor argumentou que a Reag, ao gerir fluxos financeiros de alto valor e baixa rastreabilidade na gestão do estádio, configurava um indício suficiente para investigar uma possível utilização da estrutura financeira como instrumento para ocultar ou dissimular a origem de valores ilícitos, integrando-os ao sistema econômico formal. O Sport Club Corinthians Paulista, por sua vez, afirma estar convicto de ter cumprido todos os ritos exigidos, preservando o compliance, a boa governança e os melhores interesses institucionais do Clube e da Neo Química Arena.





