A votação do processo de impeachment contra o presidente do São Paulo Futebol Clube, Júlio Casares, marcada para esta sexta-feira, aponta para o seu afastamento. Projeções internas, baseadas em contato individual com conselheiros, indicam que o mínimo necessário de 171 votos para a aprovação do impeachment será superado com folga, com uma estimativa de 203 votos favoráveis.
Para a validade da reunião, é exigido um quórum de 75% dos 254 conselheiros aptos a votar, o que corresponde a 191 participantes. A oposição tem incentivado a participação presencial para garantir que este número seja alcançado.
Coalizão de Casares se Fragmenta
Júlio Casares, que foi eleito com uma ampla coalizão, enfrenta agora uma série de dissidências significativas. Entre os desembarques mais recentes e impactantes está o Movimento Sempre Tricolor (MST), liderado por Antonio Donizete Gonçalves, o Dedé, diretor-geral do clube social. O MST, que representa cerca de 40 conselheiros, declarou voto favorável à suspensão do presidente, alegando ser “veementemente contra qualquer tipo de ato ilícito”.
Outros grupos importantes que faziam parte da base de Casares também anunciaram sua saída da gestão. O próprio grupo do presidente, o Participação, com aproximadamente 55 conselheiros, publicou comunicado sobre o movimento. Acompanharam essa decisão o Legião, liderado por Carlos Belmonte, com cerca de 40 conselheiros, e o Vanguarda, de Harry Massis Júnior, com cerca de 20 conselheiros.
Votos Contrários e Apoio Remanescente
Em contraste com a crescente onda de votos a favor do impeachment, a projeção para os votos contrários gira em torno de 50. Estes votos provêm principalmente de conselheiros de movimentos que não manifestaram publicamente sua saída da coalizão, como o Força São Paulo, presidido por Olten Ayres de Abreu Júnior, presidente do Conselho Deliberativo, e o Sempre Tricolor, liderado por Fernando Bracalle, conhecido como Chapecó.
O procedimento de impeachment foi iniciado por um pedido que contou com 57 assinaturas, superando o mínimo de 50 exigido. Apesar de o Conselho Consultivo ter emitido um parecer contrário ao impeachment, este documento não é determinante, servindo apenas como embasamento para a discussão dos votos.
Próximos Passos e Consequências do Afastamento
Caso o Conselho Deliberativo vote pelo afastamento de Casares com, no mínimo, dois terços dos votos (171), ele será suspenso provisoriamente. Em um prazo de até 30 dias após essa votação, uma Assembleia Geral de sócios do clube deverá ser convocada para ratificar a decisão do Conselho. Nesta instância, a maioria simples dos votos é suficiente para confirmar o afastamento.
Se Júlio Casares for afastado tanto pelo Conselho quanto pela Assembleia, ele será banido do clube. No entanto, em uma eventual renúncia, ele manteria sua posição no Conselho Consultivo, cenário semelhante ao vivido pelo ex-presidente Carlos Miguel Aidar, que deixou o cargo em 2015 sob acusações de desvio de recursos, mas permaneceu no Conselho Consultivo.





