Mais de 56 mil torcedores lotaram o Maracanã na última quarta-feira (4), em uma noite de grande expectativa para a reestreia de Lucas Paquetá com a camisa do Flamengo. Recebido com uma festa vibrante e um mosaico dedicado, o “Garoto do Ninho” teve sua primeira oportunidade como titular neste retorno ao clube. Contudo, o desempenho esteve aquém do esperado no empate em 1 a 1 com o Internacional, pelo Campeonato Brasileiro, com a atuação do camisa 20 marcada por ansiedade, um cartão amarelo precoce e um erro decisivo.
Ansiedade e o Amarelo Relâmpago
Desde sua última aparição, quando desperdiçou uma chance clara na derrota para o Corinthians pela Supercopa Rei, Paquetá já demonstrava sinais de grande ansiedade para provar seu valor. A recepção calorosa no Maracanã apenas intensificou a pressão por uma grande atuação. Essa intensidade se traduziu em duelos ganhos e boas ações defensivas, mas também em faltas. Logo aos três minutos do primeiro tempo, um pisão em Alan Patrick lhe rendeu um “amarelo relâmpago”, evidenciando a pressa e a tensão em campo.
O Erro Fatal e a Falta de Inspiração
Apesar de sua participação ativa nos 64 minutos em que esteve em campo, Paquetá esbarrou na falta de inspiração. Embora recuperasse algumas posses de bola, suas ações com a bola foram muitas, mas a capacidade de criação foi pouca. O meia abusou dos erros de passe, e um deles, no último lance do primeiro tempo, mostrou-se fatal. Ao entregar a bola nos pés de Ronaldo, Paquetá iniciou o contra-ataque que culminou no gol do Internacional, marcado por Borré após troca de passes e dribles.
Engessado na Ponta e Análise Tática
Com sua versatilidade para atuar em diferentes funções, esperava-se que Paquetá tivesse liberdade para circular na fase de criação. No entanto, a estratégia adotada o manteve “espetado” na ponta-direita durante grande parte do jogo, uma tática que não surtiu o efeito desejado. Com dificuldade para dialogar com o lateral Emerson Royal, que também não teve boa noite, Paquetá teve um raro momento de perigo ao sair da posição e chutar de primeira, de dentro da área, para defesa de Rochet. Após a partida, Filipe Luís defendeu o posicionamento do jogador, afirmando que “ele encaixa muito bem nessa posição, tem muita chegada na área, profundidade, domina bem entre linhas, gira, tem gol.”
Números da Partida e o Futuro Incerto
Os números de Paquetá contra o Internacional refletem uma atuação mista: 64 minutos jogados, 3 finalizações (1 no gol), 1 grande chance perdida, 68% de acerto nos passes (19/28), 44 ações com a bola, 13 perdas de posse, 2 desarmes, 3 recuperações de bola e 6 duelos ganhos (de 12). Os primeiros dias de seu retorno ao Flamengo têm sido intensos, com duas partidas em uma semana. A comissão técnica agora precisa decidir se o próximo compromisso, contra o Sampaio Corrêa no sábado (7), será uma oportunidade para Paquetá descansar ou para ser melhor introduzido taticamente na equipe.




