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Ancelotti revela ‘dúvidas positivas’ após goleada do Brasil no Panamá

Ancelotti revela ‘dúvidas positivas’ após goleada do brasil no panamá

A goleada do Brasil por 6 a 2 sobre o Panamá, em amistoso preparatório, deixou o técnico Carlo Ancelotti com mais dúvidas do que certezas sobre a formação ideal da Seleção. Contudo, para o experiente treinador italiano, esse cenário não é um problema, mas sim um indicativo de que a concorrência interna se acirrou, especialmente após o desempenho dos reservas no segundo tempo.

Ancelotti destacou a entrada de nomes como Lucas Paquetá, Danilo Santos, Igor Thiago e Rayan, que foram fundamentais para mudar o ritmo da equipe após o intervalo e participaram diretamente dos gols. Segundo o técnico, a segunda etapa evidenciou jogadores em excelente condição física, com qualidade técnica e capacidade de brigar por uma posição no time que estreará na Copa do Mundo.

Apesar dos elogios, Ancelotti fez uma ressalva importante: a intensidade do Panamá diminuiu consideravelmente no segundo tempo, o que naturalmente abriu mais espaços para a Seleção Brasileira. A comissão técnica planeja uma análise minuciosa do jogo nos próximos dias antes de tomar qualquer decisão sobre a escalação.

Reservas Ganham Espaço e Dúvidas Aumentam

O desempenho dos jogadores que saíram do banco de reservas foi o principal ponto de interrogação para Ancelotti. O Brasil iniciou a partida com uma formação mais próxima da equipe considerada titular, mas viu sua produção ofensiva crescer exponencialmente após as substituições no intervalo. Os atletas que entraram em campo souberam aproveitar a oportunidade.

Ancelotti admitiu que a equipe para a estreia na Copa ainda não está 100% definida. “Definido 100%, obviamente, não. Faltam jogadores. Faltam Marquinhos, Magalhães, Martinelli. A lista não está completa. Sigo pensando que tenho uma boa lista”, afirmou. A decisão final será tomada com base nos treinamentos dos próximos 13 dias, considerando a condição física dos atletas.

Entre os nomes que mais agradaram, Lucas Paquetá recebeu elogios explícitos. O meia entrou no segundo tempo, marcou um gol, deu uma assistência e ajudou a Seleção a controlar melhor a posse de bola. “A atuação do Paquetá foi muito boa a nível de qualidade, de posse de bola. Marcou, deu assistência. Foi um nível muito alto”, disse Ancelotti. O técnico explicou que Paquetá teve liberdade para atuar por dentro com a bola, enquanto Danilo Santos chegou a jogar pela esquerda para manter o equilíbrio, alimentando a disputa por minutos.

Neymar Terá Papel Central no Esquema de Ancelotti

Ancelotti também esclareceu como pretende utilizar Neymar. O técnico descartou a possibilidade de escalar o camisa 10 aberto como extremo. “Ele tem que jogar por dentro do campo. Não vai jogar por fora, como extremo. Por dentro, como ponta ou meia-ponta. A posição que jogaram hoje Vini ou Raphinha. Vai ser uma dessas posições”, afirmou.

Essa declaração ajuda a desenhar o papel tático de Neymar na Copa, que deve atuar em uma faixa mais central, próximo aos atacantes, com menos obrigações defensivas pelas laterais e mais liberdade para receber a bola entre as linhas adversárias. Ancelotti já havia mencionado que Neymar não tem vaga garantida, mas agora delineou o espaço tático em que o enxerga.

Igor Thiago e Alternativas Táticas

Outro destaque da coletiva foi a análise sobre Igor Thiago. O centroavante entrou no segundo tempo, sofreu e converteu um pênalti. Para Ancelotti, o atacante oferece um perfil necessário ao elenco. “Igor Thiago é um perfil de atacante que eu acho que a equipe precisa. Em alguns momentos do jogo, sobretudo quando pode ser que tenha rivais que colocam pressão, pode jogar a bola para ele. É muito forte, controla. O perfil é muito importante para nós”, explicou.

Essa fala sugere que Igor Thiago pode ter um papel específico durante a Copa, talvez não como titular, mas como uma alternativa para jogos em que o Brasil necessite de uma referência física, força na disputa aérea e capacidade de segurar a bola no ataque. Ancelotti também detalhou que a estrutura defensiva da Seleção tende a partir de um 4-4-2 sem a bola, com flexibilidade para escolher diferentes perfis para fechar os lados.

Pontos a Melhorar e Visão de Futuro

Apesar da goleada, Ancelotti não se mostrou totalmente satisfeito. Ele apontou falhas na pressão do primeiro tempo e cobrou mais compactação da equipe. “A pressão alta é um aspecto que queríamos fazer no primeiro tempo. A verdade é que, quando a pressão não funciona, é preciso recuperar mais rápido. O time não estava muito compacto. É um tema que precisamos melhorar, porque a solidez defensiva é muito importante”, ressaltou.

O treinador também abordou a diferença entre os dois tempos, destacando que a equipe da primeira etapa tinha mais velocidade e jogadores de um contra um, enquanto o time do segundo tempo foi mais voltado à transição e ao controle da posse. Ancelotti reforçou a importância de equilibrar agressividade, recomposição e controle de espaços.

Sobre Raphinha, utilizado em uma função mais centralizada, Ancelotti afirmou que não o vê como centroavante, mas gosta de sua presença perto da última linha defensiva adversária devido à sua capacidade de atacar a profundidade. O técnico garantiu que não irá engessar Raphinha com a bola, dando-lhe liberdade criativa, mas cobrando posicionamento sem a posse.

Ancelotti também elogiou o gesto de Marquinhos ao consolar Gabriel Magalhães após o pênalti perdido na final da Champions League, classificando-o como um “gesto muito bonito” de um profissional exemplar. Por fim, o técnico celebrou a presença de jovens talentos como Rayan, Endrick e Estêvão, vendo neles um “futuro positivo” para a Seleção Brasileira, o que, segundo ele, foi um dos motivos para assinar um contrato de quatro anos.

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