A seleção de Gana demonstrou forte insatisfação com a arbitragem de Said Martínez na partida contra a Inglaterra, válida pelo grupo L da Copa do Mundo, na última terça-feira (23). O empate em 0 a 0 foi marcado por decisões controversas, com destaque para a não aplicação da recém-criada ‘Lei Vini Jr.’ em lances envolvendo o meia inglês Jude Bellingham, além de um pênalti não assinalado a favor dos africanos.
A polêmica da ‘Lei Vini Jr.’
O principal ponto de discórdia para a equipe ganesa foi a conduta de Jude Bellingham, camisa 10 da Inglaterra. Segundo o técnico de Gana, Carlos Queiroz, em entrevista coletiva, Bellingham tapou a boca para se comunicar com os volantes Kwasi Sibo e, posteriormente, com o atacante Jordan Ayew. Essa ação é expressamente proibida pela nova regra da FIFA, conhecida como ‘Lei Vini Jr.’, e prevê a expulsão do jogador.
Apesar da clara infração, o árbitro hondurenho Said Martínez não assinalou a falta e, para a surpresa da delegação ganesa, o VAR não interveio para revisar o lance. Carlos Queiroz manifestou sua indignação, questionando a funcionalidade do VAR em momentos cruciais da partida.
Precedente na Copa do Mundo
A não aplicação da regra causou ainda mais estranheza, visto que a ‘Lei Vini Jr.’ já havia resultado em uma expulsão nesta mesma Copa do Mundo. No duelo entre Turquia e Paraguai, pela segunda rodada do grupo D, o atacante paraguaio Almirón foi flagrado colocando a mão na boca ao discutir com um adversário. O árbitro salvadorenho Iván Barton, após ser acionado pelo VAR e revisar o lance no monitor, explicou a decisão e aplicou o cartão vermelho, expulsando o jogador.
Outras reclamações e a fúria de Queiroz
Além do incidente com Bellingham, Carlos Queiroz também se irritou profundamente com um pênalti não marcado a favor de Gana no final do segundo tempo. O atacante Adu avançou em velocidade na área inglesa e foi atingido no joelho pelo zagueiro Konsa, impedindo a finalização da jogada. Para o treinador, a infração era clara e deveria ter sido assinalada.
“O VAR ainda está funcionando? Ainda temos VAR? Tem um pênalti que eles deveriam dar, pênalti claro. Tem também um choque claro. Era vermelho. Claro. Não há dúvidas sobre isso”, declarou Queiroz, visivelmente irritado. Ele completou com ironia: “Se o VAR não tivesse ido tomar o café, teria marcado o pênalti e tínhamos ganhado o jogo”, expressando o sentimento de prejuízo da seleção africana.
O que diz a ‘Lei Vini Jr.’
A ‘Lei Vini Jr.’ foi implementada pela FIFA após um incidente polêmico na Liga dos Campeões da Europa, envolvendo Vini Júnior, atacante do Real Madrid, e Gianluca Prestianni, meia argentino do Benfica. Vini Júnior alegou ter sofrido racismo, enquanto Prestianni negou as acusações. Para evitar mal-entendidos e coibir possíveis atos discriminatórios velados, a FIFA proibiu que qualquer jogador tape a boca ao se comunicar com um adversário. A violação dessa regra resulta na aplicação de cartão vermelho e, consequentemente, na expulsão do atleta.



