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Copa do Mundo 2026: Ancelotti encara o dilema dos laterais

Copa do mundo 2026: ancelotti encara o dilema dos laterais

A música “Tire o Lateral”, eternizada pelo conjunto Purarmonia em 2008, narra com bom humor a frustração da torcida com um jogador desastrado. Os versos, que criticam um lateral que “não sabe marcar, só pisa na bola, só chuta pra fora e não sabe cruzar”, parecem agora ecoar como um presságio para a Seleção Brasileira de 2026. Sob o comando de Carlo Ancelotti, a posição de lateral se tornou um dos maiores pontos de interrogação, gerando um “drama, amigo”, como diria Galvão Bueno, ao analisar o elenco convocado.

Alex Sandro: A Versão Veterana

Na lateral esquerda, Alex Sandro, atualmente no Flamengo, representa uma carreira de sucesso inegável, com passagens marcantes por Porto e Juventus, onde se tornou o brasileiro com mais jogos na história do clube italiano (327). Contudo, aos 35 anos, a percepção geral é que seus melhores dias ficaram para trás. Sua presença no elenco levanta a questão da velocidade e intensidade que a Copa do Mundo exige, especialmente contra adversários jovens e velozes.

Douglas Santos: Discreto, Eficiente, mas Suficiente?

Concorrente de Alex Sandro, Douglas Santos, de 33 anos, teve destaque no Atlético-MG e foi peça importante na conquista do ouro olímpico em 2016. Desde então, construiu uma sólida carreira na Europa, passando por Hamburgo e, atualmente, no Zenit, da Rússia. Apesar de ser considerado eficiente, Douglas Santos é um lateral mais discreto em campo. Em um país que tradicionalmente valoriza laterais ofensivos como Roberto Carlos e Cafu, seu perfil “nota 6” e as poucas sete partidas pela Seleção principal geram dúvidas sobre sua capacidade de desequilibrar em um torneio de alto nível.

Danilo: Da Zaga para a Lateral, um Risco Calculado?

Com 34 anos, Danilo é outro veterano do grupo e homem de confiança de Ancelotti, sendo o único convocado antecipadamente em março. No Flamengo, ele tem atuado predominantemente como zagueiro, um caminho similar ao de Leandro, ídolo rubro-negro que migrou da lateral para a zaga em idade mais avançada. A lesão de Wesley, titular da posição, pode forçar Danilo a retornar à lateral direita, onde terá a ingrata tarefa de marcar atacantes de beirada velozes e insinuantes. A ideia de apostar corrida com um Mbappé, que faz 100 metros rasos em menos de 11 segundos, levanta sérias preocupações sobre a adaptabilidade e o fôlego necessários para a função.

Há um ceticismo palpável em relação à escolha dos laterais para a Copa de 2026. A esperança é que os eleitos por Ancelotti consigam superar as expectativas e calar as críticas. Caso contrário, a torcida brasileira corre o risco de ligar o rádio e ouvir, de forma profética, os versos da canção: “Só toma bola nas costas e ainda aposta que sabe jogar. Foi pro alambrado, rodando a camisa, pensando que tava abafando. Só que ele não percebeu era a mesma galera que estava gritando. Tira o lateral…”

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