A melodia inconfundível de “Sirius”, da banda The Alan Parsons Project, ecoou nos estádios da Copa do Mundo de 2022, escolhida pela FIFA como a trilha sonora oficial para a entrada dos jogadores em campo. Para milhões de fãs de basquete ao redor do mundo, e especialmente nos Estados Unidos, a faixa não é apenas uma música, mas um portal para a nostalgia, remetendo diretamente à era dourada de Michael Jordan e do Chicago Bulls, que a transformaram em um verdadeiro hino esportivo.
A Música que Marcou uma Era no Basquete
Gravada em 1982, “Sirius” só alcançou o estrelato global anos depois, quando o lendário time do Chicago Bulls a adotou como tema de entrada em seus jogos em casa na NBA. A canção se tornou sinônimo das campanhas vitoriosas que levaram a equipe, liderada por Michael Jordan, Scottie Pippen e Dennis Rodman, a conquistar seis títulos da NBA em duas fases: os tricampeonatos de 1991 a 1993 e de 1996 a 1998. Mais do que uma simples faixa musical, “Sirius” virou a trilha sonora de uma dinastia.
Dos Cinemas de Chicago à Fama Mundial
A história de como “Sirius” se tornou um ícone dos Bulls é curiosa e começa em um cinema. Em 1984, Tommy Edwards, o locutor oficial da equipe, estava com sua esposa no Biograph Theater, em Chicago, quando a música começou a tocar como trilha ambiente. Edwards reconheceu a melodia instantaneamente e pensou nos Bulls. No dia seguinte, comprou o disco de vinil e passou a praticar os anúncios dos jogadores com a faixa de fundo. “Os Bulls adoraram imediatamente. O Michael adorou”, relatou Edwards.
Ele criou um ritual inesquecível: as luzes da arena eram apagadas, Scottie Pippen era sempre o primeiro anunciado, e Michael Jordan, o último, tudo ao som crescente de “Sirius”. O bordão “And now, the starting lineup for your Chicago Bulls!” (E agora, a escalação inicial do Chicago Bulls!) gravou-se na memória afetiva de uma geração. Quando Edwards deixou o cargo em 1990, Ray Clay herdou as tradições, narrando os seis títulos da era Jordan com a mesma canção.
O Criador Desconhecido e o Encontro com a Lenda
Curiosamente, Alan Parsons, o criador da faixa, só soube que sua música havia se tornado um símbolo do Chicago Bulls pelos bastidores. Ele não era fã de basquete e, inicialmente, precisou perguntar quem era Michael Jordan. O encontro entre os dois só aconteceu em 2000, na pré-estreia de um documentário sobre Jordan. Parsons se aproximou e disse: “Michael, você provavelmente não sabe quem eu sou, mas eu escrevi a música da sua entrada”.
A Repercussão no Mundo do Futebol
A escolha de “Sirius” pela FIFA não passou despercebida nas redes sociais. Assim que a música começou a tocar na entrada dos jogadores no jogo de abertura entre México e África do Sul, torcedores ao redor do mundo reconheceram a faixa imediatamente. A repercussão foi especialmente forte entre os norte-americanos e os fãs de basquete, para quem a canção evoca a memória afetiva de uma geração inteira ligada aos anos de ouro do Chicago Bulls. A escolha, no entanto, dividiu opiniões: parte dos internautas estranhou ouvir uma música tão associada ao basquete em uma Copa de futebol, enquanto outros celebraram a decisão pela forte nostalgia e pelo impacto que ela ainda é capaz de despertar.
A jornada de “Sirius”, de uma faixa gravada em 1982 a um hino de uma das maiores dinastias do esporte e, agora, à trilha sonora da Copa do Mundo, prova o poder atemporal da música em transcender barreiras culturais e esportivas, conectando gerações e despertando emoções em palcos inesperados.




