O Estádio Azteca, localizado na Cidade do México, é um dos palcos mais icônicos e reverenciados do futebol mundial. Mais do que um mero campo de jogo, ele se tornou um verdadeiro templo, testemunhando momentos que redefiniram o esporte e consagraram lendas. Ao lado do Maracanã, no Brasil, é um dos únicos estádios a sediar duas finais de Copa do Mundo, em 1970 e 1986, marcando para sempre seu nome na história.
Um Templo de Glórias e Recordes
A aura do Azteca é inegável. Sua grandiosidade foi o cenário perfeito para a consagração de Pelé e Maradona, dois dos maiores craques que o futebol já viu. Mas antes mesmo das finais que coroaram esses gênios, o estádio já havia sido palco de uma das partidas mais emocionantes de todos os tempos.
O “Jogo do Século”: Itália x Alemanha em 1970
Além da final, a Copa do Mundo de 1970 presenteou os torcedores com uma semifinal lendária no Azteca: o confronto entre Itália e Alemanha, eternizado como o “Jogo do Século”. Diante de um público de 102.440 pessoas, as seleções empataram em 1 a 1 no tempo regulamentar, com Boninsegna abrindo o placar para a Itália e Schnellinger empatando para a Alemanha nos acréscimos do segundo tempo. A prorrogação foi um espetáculo à parte. Gerd Müller virou para a Alemanha logo aos quatro minutos, mas a Itália reagiu com gols de Burgnich e Riva, encerrando o primeiro tempo da prorrogação com a vantagem. Contudo, Müller voltou a empatar no segundo tempo extra, apenas para Riva, novamente, selar a vitória italiana aos 11 minutos, garantindo a vaga na final da Copa de 1970.
A Redenção e Consagração do Rei Pelé
O Estádio Azteca foi crucial para recolocar a coroa de “Rei” em Pelé. Chegando à Copa de 1970 sob questionamentos, após lesões que o tiraram das Copas de 1962 e 1966, e até cogitar abandonar a Seleção Brasileira, Pelé deu a volta por cima. Apesar de um elenco recheado de estrelas, a desconfiança pairava sobre o Brasil. No entanto, a Seleção chegou invicta à final, onde enfrentaria a Itália em um duelo de bicampeões pela cobiçada Taça Jules Rimet. Em uma exibição de gala, com um show de Pelé e seus companheiros, o Brasil goleou por 4 a 1, conquistando o tricampeonato. Pelé, finalmente, participou de todos os jogos de uma edição de Copa do Mundo, consolidando seu legado. De quebra, Jairzinho se tornou o primeiro e único jogador a marcar em todos os jogos de uma Seleção em Copas do Mundo.
Maradona: A Mão de Deus e o Gol do Século
Se 1970 consagrou Pelé, 1986 elevou Diego Maradona ao panteão dos deuses do futebol, novamente no Azteca. Nas quartas de final contra a Inglaterra, Maradona protagonizou dois dos momentos mais icônicos da história dos Mundiais. Primeiro, marcou o polêmico gol da “Mão de Deus”. Poucos minutos depois, partindo do meio-campo, driblou seis jogadores ingleses em uma arrancada genial para marcar o “Gol do Século”, considerado o mais bonito de todas as Copas do Mundo. A Argentina, liderada por seu camisa 10, seguiria para levantar a taça no mesmo estádio, solidificando a lenda de Maradona.



