A delegação do Irã surpreendeu ao deixar um bilhete nos vestiários do SoFi Stadium, em Los Angeles, nos Estados Unidos, após um empate de 0 a 0 no último domingo (22), em um jogo válido pelo Grupo G da Copa do Mundo. A mensagem, carregada de simbolismo, agradeceu a hospitalidade de Los Angeles e o apoio fervoroso de sua torcida, em meio a um cenário de tensões políticas que cercam a equipe.
A mensagem de agradecimento e paz
O bilhete deixado pelos asiáticos transmitiu uma mensagem profunda, conectando o passado milenar da Pérsia com o Irã contemporâneo. “Da antiga Pérsia, de milhares de anos atrás, ao Irã civilizado de hoje, o espírito do Irã permanece vivo e inabalável. Nós viemos a Los Angeles com orgulho, competimos com honra e partimos com dignidade. Obrigado, Los Angeles, pela sua hospitalidade. E obrigado a cada iraniano que deu seu coração, sua voz e sua alma ao Irã durante esses 180 minutos. Que a paz, o respeito e a amizade prevaleçam entre todas as nações”, dizia a nota, assinada pela Seleção do Irã.
O impacto dos conflitos na delegação
A presença da seleção iraniana nos Estados Unidos é um dos pontos mais delicados desta edição da Copa do Mundo, devido aos intensos conflitos políticos e militares entre os dois países. As restrições impostas pelo governo americano, que proíbe a entrada de iranianos em seu solo, afetaram diretamente a logística da delegação.
Membros do staff foram vetados ou tiveram seus vistos limitados, comprometendo a estrutura de apoio à equipe. Com base no México, a seleção é obrigada a entrar nos EUA apenas nos dias de jogo e deixar o país imediatamente após as partidas. A Federação Iraniana de Futebol chegou a emitir uma nota antes do torneio, solicitando que a FIFA mantivesse os “princípios da neutralidade, justiça e respeito aos regulamentos”, alegando que fatores externos prejudicavam a preparação e participação da equipe.
O desabafo do técnico Amir Ghalenoei
O técnico do Irã, Amir Ghalenoei, tem sido uma voz constante nas coletivas de imprensa sobre as dificuldades enfrentadas. Segundo ele, a logística complicada resultou em apenas metade das sessões de treino consideradas ideais, impactando diretamente a performance do time. Após a estreia, Ghalenoei chegou a desabafar, classificando o Irã como a “seleção mais oprimida da história das Copas do Mundo”.
“Nem nós sabemos por que temos que sair, e isso é realmente engraçado. O planejamento da nossa equipe é feito em um lugar, mas a decisão final é tomada em outro… É por isso que digo que a seleção iraniana é talvez a mais oprimida da história da Copa do Mundo. O presidente da federação não está aqui, o gerente da equipe não está aqui, o gerente interno da equipe não está aqui, o departamento de mídia não está aqui. Parte das responsabilidades pré-jogo que deveriam ser da diretoria ficaram a cargo da comissão técnica, enquanto o foco da comissão técnica deveria ser em questões técnicas. É por isso que digo que somos a seleção mais oprimida da história da Copa do Mundo”, declarou Ghalenoei, evidenciando a profunda frustração da equipe com as adversidades extracampo.
Apesar de todas as complicações, o gesto da seleção iraniana de deixar uma mensagem de agradecimento e paz reflete um esforço para transcender as barreiras políticas e focar nos valores de esporte e convivência, mesmo em um cenário tão desafiador.




