A Justiça do Rio de Janeiro manteve bloqueado o empréstimo de até R$150 milhões solicitado pelo Vasco da Gama e impôs novas condições para a liberação dos recursos. O juiz Victor Agustin Cunha Jaccoud Diz Torres, da 4ª Vara Empresarial do Rio, deu ao clube o prazo até 2 de setembro para apresentar um parecer conjunto sobre a captação do empréstimo DIP (Debtor in Possession) e a venda da UPI Equity, que representa o controle da SAF ou de uma nova empresa de futebol. Além disso, o magistrado exigiu que o Vasco justifique seus gastos com a contratação de jogadores, comparando-os com o ano anterior e com os demais clubes da Série A do Campeonato Brasileiro, conforme informações do colunista Mauro Cezar Pereira, do Uol.
Empréstimo Bloqueado e Exigências Detalhadas
A decisão judicial impede a liberação imediata do montante, que só poderá ocorrer após a análise técnica prévia de órgãos fiscalizadores. Para que o empréstimo seja autorizado, é indispensável o parecer conjunto do Watchdog, do Gatekeeper e da Administração Judicial. Nenhuma liminar será concedida sem essa análise aprofundada, sublinhando a preocupação da Justiça com a situação financeira do clube.
Alerta Financeiro e Impasse na Venda da SAF
A rigorosidade da Justiça reflete o cenário de dívidas elevadas do Vasco. O clube já tomou R$120 milhões em empréstimos e agora solicita mais R$150 milhões. A projeção de prejuízo aponta para R$300 milhões até o final de 2026. Sem a efetivação da venda da SAF, o Vasco corre o risco de perder receitas futuras que já foram dadas como garantia aos credores.
Um dos principais impasses jurídicos reside na proposta de R$500 milhões da Almirante Participações. O plano de recuperação judicial do Vasco exige que a venda da UPI Equity seja destinada à quitação de dívidas e tributos do clube. Contudo, o investidor pleiteia que esse recurso seja travado exclusivamente para investimentos no futebol, uma exigência que foi vetada pelo magistrado por contrariar o acordo estabelecido com os credores.
Adicionalmente, o juiz alertou para o risco de a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) vetar a transferência do controle do futebol. Caso a transação não se concretize, o Vasco enfrentará um cenário crítico, mantendo uma dívida substancialmente alta e com suas principais receitas futuras bloqueadas por garantias já oferecidas.
O Futuro da 777 Partners no Vasco
Neste momento, o tribunal não determinou a retirada de todos os bens da SAF para outra companhia. O processo judicial visa a venda do controle acionário dentro da recuperação judicial do clube. Se a proposta da Almirante Participações avançar, a 777 Partners perderá o comando do futebol vascaíno. A decisão final sobre o futuro do controle do Vasco dependerá da avaliação dos pareceres dos órgãos de fiscalização e das propostas de outros interessados no processo competitivo, que ainda serão analisadas pelo juiz.




