O retorno do Palmeiras aos gramados, após a longa pausa para a Copa do Mundo, em 22 de julho, parecia indicar um caminho de sucesso. Naquela quarta-feira à noite, mesmo com desfalques importantes, a equipe derrotou o Coritiba por 3 a 1 no Paraná, consolidando seu melhor primeiro turno na história dos pontos corridos do Campeonato Brasileiro. A impressão inicial, contudo, desvaneceu rapidamente. De lá para cá, o Verdão disputou seis jogos por três competições distintas, registrando um baixo aproveitamento de apenas 44,4%, com duas vitórias, dois empates e duas derrotas. Essa sequência irregular tem levantado sérias preocupações sobre a capacidade do time de manter o ritmo e evitar a repetição de um cenário de decepções, como o ocorrido em 2025.
A Queda de Rendimento e o Fator Casa
Um dos aspectos mais alarmantes dessa série negativa é o acúmulo de resultados ruins em casa. No período pós-Copa, o Palmeiras sofreu sua primeira derrota no Nubank Parque no Brasileirão de 2026 para o Atlético-MG, encerrando uma invencibilidade de 14 jogos como mandante na Série A. Além disso, a equipe empatou outros dois jogos diante de sua torcida, incluindo o crucial confronto de ida pelas oitavas de final da Copa Libertadores contra o Cerro Porteño. Apenas na Copa do Brasil o Alviverde conseguiu triunfar como mandante nesta segunda parte da temporada. Os melhores resultados, não necessariamente acompanhados de um desempenho convincente, têm sido conquistados longe de casa, como a goleada sobre o Vitória no Brasileirão, um placar construído após o adversário ter dois atletas expulsos, o que levanta questionamentos sobre a verdadeira força do time.
Abel Ferreira Busca Respostas: Entre a Falta de Eficácia e Inspiração
O mau momento da equipe tem gerado apreensão na torcida, que teme a repetição do cenário de 2025, quando o Verdão perdeu fôlego na reta final e foi vice-campeão do Brasileirão e da Libertadores, terminando ambas as competições atrás do Flamengo. A falta de inspiração e eficácia tem sido um tema constante nas análises do técnico Abel Ferreira. O empate por 1 a 1 com o Cerro Porteño, na última quarta-feira (12), ratificou o mau momento, levando o Palmeiras a três partidas consecutivas sem vencer. Após o jogo da Libertadores, Abel elegeu a “falta de eficácia” como a principal razão para o resultado. “Fizemos um jogo com volume, com oportunidades. Se me disser que com pouca eficácia, eu tenho que concordar com você, porque quem tem essas seis ou sete oportunidades e só faz um gol em jogo de Libertadores, sim, temos que nos queixar da falta de eficácia”, declarou o treinador. Três dias antes, após o empate por 0 a 0 com o Internacional, o técnico português pinçou outro substantivo feminino, “inspiração”, para explicar o desempenho alviverde, além de criticar a postura defensiva do adversário, que teria “estacionado o ônibus” na frente do gol. Antes, na derrota para o Fortaleza pela Copa do Brasil, Abel havia feito uma autocrítica ao dizer que não teve “arte e nem engenho para mobilizar” a equipe em um cenário de aparente conforto.
Diagnóstico Recorrente e a Blindagem Presidencial
A série titubeante do Palmeiras começou em 26 de julho, com a derrota por 2 a 1 para o Atlético-MG. Naquela partida no Nubank Parque, Abel recorreu justamente ao substantivo “eficácia” para explicar o resultado. “É preciso fazer o mais importante: o gol. Fizemos um bom jogo até a entrada da área adversária. Dominamos, controlamos, mas temos que cruzar mais, chutar mais. Por isso, precisamos ser mais contundentes no terço final do campo. Foi um jogo positivo da nossa parte, mas o resultado foi deles, foram mais eficazes”, declarou. A partida contra o Galo também colocou o goleiro Carlos Miguel sob os holofotes ao cometer uma falha grave no primeiro gol. Diante do Cerro Porteño, o arqueiro voltou a errar no lance que decretou o empate dos paraguaios. Embora Abel tenha identificado falhas na jogada, não só do goleiro como no comportamento da defesa, fez questão de não atribuir o resultado a Carlos Miguel, dizendo que o futebol “é uma sociedade” em que todos ganham ou perdem. Essa não é a primeira vez que o Palmeiras passa por um período de oscilação na era Abel Ferreira. O treinador mais vitorioso da história do clube já teve o trabalho questionado por parte das arquibancadas, especialmente pela principal torcida organizada, a Mancha Alviverde, que chegou a emitir notas dizendo que “a paciência acabou” e pedindo a saída do português. Contudo, a presidente Leila Pereira, que cortou relações com a Mancha em 2022, tem blindado Abel, renovando seu contrato até o fim de 2027.
O Desafio “Cabeça Fria, Coração Quente” em Três Semanas Decisivas
Em campo, Abel Ferreira e o Palmeiras terão um triplo desafio nas próximas três semanas, colocando à prova o lema “cabeça fria, coração quente” que popularizou em seu trabalho. O clube tentará preservar a liderança do Brasileirão, onde sustenta seis pontos de vantagem para o vice-líder Flamengo (com um jogo a mais), com duelos fora de casa contra Fluminense e Mirassol, e no Nubank Parque diante do Vasco. Na próxima quarta-feira (19), a equipe viaja ao Paraguai para decidir a vaga nas quartas da Libertadores contra o Cerro Porteño. Já nos dois meios de semana seguintes, haverá os clássicos contra o Santos pela Copa do Brasil, jogos que definirão o futuro do Alviverde na competição. Com 11 títulos em quase seis anos de clube, o técnico português está habituado a dar respostas com resultados, e a torcida espera que essa capacidade seja reativada no momento mais crítico da temporada pós-Copa, para evitar que a história de 2025 se repita e para que o Palmeiras volte a encontrar sua inspiração e eficácia.




