A grande frustração gerada pela campanha decepcionante da Seleção Brasileira na última Copa do Mundo rapidamente deu lugar à revolta dos torcedores no início deste novo ciclo. O anúncio da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) dos primeiros compromissos do time canarinho após a queda para a Croácia conta com amistosos contra países sem grande tradição e relevância no futebol: Índia e Singapura.
No próximo dia 3 (sábado), às 11h (horário de Brasília), a Seleção entrará em campo para enfrentar a Índia em Calcutá. O país asiático atualmente ocupa a 138ª posição do ranking mundial da FIFA, que lista os 211 representantes da entidade. Na próxima Data FIFA, no dia 17 de novembro, o Brasil segue na Ásia para encarar um adversário ainda pior: Singapura. O jogo acontecerá na pequena nação, às 07h (de Brasília).
A Polêmica dos Adversários “Sem Tradição”
O conjunto de amistosos não agradou aos fãs, que assistem às principais seleções europeias duelando entre si na UEFA Nations League, mas têm que acompanhar a comissão técnica brasileira fazer “testes” diante de rivais quase semiprofissionais. A escolha levanta questionamentos sobre o real objetivo desses confrontos e o preparo da equipe para desafios futuros.
O Espelho Argentino: Sucesso com Rivais Menores
Existem dois argumentos principais para os amistosos contra rivais de menor expressão. O primeiro deles é justamente a Liga das Nações da Europa, que tira a possibilidade do Brasil encarar os principais países do mundo do futebol com o seu calendário cheio. O segundo argumento está bem ao lado do Brasil: a Argentina, que foi a melhor representante sul-americana nas últimas duas Copas do Mundo, com uma taça e um vice-campeonato.
Nos dois ciclos que levaram a esses resultados, a preparação da Albiceleste foi recheada de duelos contra seleções menores. Desde a Finalíssima, em junho de 2022, que reuniu os campeões da Europa e da América do Sul, os argentinos disputaram 19 amistosos. Os rivais mais fortes do elenco comandado pelo jovem treinador Lionel Scaloni foram Austrália, Equador e Canadá, equipes que chegaram ao mata-mata da última Copa do Mundo. Os outros compromissos amigáveis do país não foram conhecidos pelo equilíbrio, com goleadas sobre a Estônia, Emirados Árabes Unidos, Indonésia e Porto Rico.
A Diferença Crucial: O Apoio da Torcida em Casa
Se a preparação da Argentina foi por vezes criticada pelo nível dos adversários, ela também foi merecidamente elogiada por outro fator: a proximidade com o seu torcedor. Dos 22 amistosos que a AFA (Associação do Futebol Argentino) organizou desde o jogo contra a Itália, sete foram ou serão disputados no país, incluindo as próximas três partidas, contra Bolívia, Burkina Faso e Benim.
Em contraste, na década inteira, a Seleção Brasileira jogou apenas um amistoso em solo brasileiro: a vitória por 6 a 2 sobre o Panamá, em maio deste ano, no Maracanã, no Rio de Janeiro. A distância entre a Seleção e sua torcida em casa, somada à escolha por adversários de menor calibre em terras distantes, alimenta o debate sobre a estratégia brasileira para este novo ciclo.




