Neymar está prestes a fazer seu aguardado retorno aos gramados pelo Santos nesta quinta-feira (8), em um confronto de peso contra o líder Flamengo, após um período de 36 dias afastado por lesão. No entanto, o cenário que aguarda o camisa 10 é inédito em sua segunda passagem pelo clube: ele não voltará como o “bombeiro” ou o “salvador da pátria”, mas sim como um impulsionador em uma equipe que se provou forte e resiliente.
Um Retorno Sem o Peso de “Salvador da Pátria”
A ausência de Neymar, que se lesionou em 2 de setembro no empate sem gols com o Palmeiras pela Copa do Brasil, coincidiu com um dos melhores momentos do Peixe no Campeonato Brasileiro. Longe de “cambalear” como em outras ocasiões, o Santos engatou uma sequência perfeita, vencendo todas as quatro partidas do Brasileirão no período. Esse aproveitamento de 100% catapultou o time da zona de rebaixamento para a oitava colocação, a apenas cinco pontos do G5, grupo que garante vaga na Libertadores.
O técnico Cuca já sinalizou que o atacante, recuperado de uma lesão muscular na coxa direita, deve ser relacionado para o duelo na Vila Belmiro, válido pela 29ª rodada. Desde o início de 2025, quando retornou ao Santos, esta é a sexta vez que Neymar enfrenta um longo período de inatividade por questões médicas. Em todas as anteriores, a equipe dependia desesperadamente de seu talento para se reerguer. Agora, o panorama é outro, com Gabigol assumindo o protagonismo com cinco gols nessa arrancada e um elenco reforçado mostrando sua força.
A Influência de Neymar Além das Quatro Linhas
Mesmo fora dos gramados, a presença de Neymar foi sentida nos bastidores. A série vitoriosa do Santos, que incluiu a frustrante eliminação na Copa Sul-Americana, mas uma inédita sequência de triunfos no Brasileirão nesta década, teve um impulso indireto do craque. A NR Sports, empresa da família do jogador, foi fundamental ao auxiliar o clube no pagamento de uma dívida com o Monaco-FRA, derrubando o transfer ban da Fifa. Essa ação abriu caminho para a chegada de um “pacote de reforços” de grife, com nomes como Arthur, Philippe Coutinho e Everton Cebolinha, além do lateral Rodinei, muitos deles com proximidade ao camisa 10.
Essas novas caras se integraram rapidamente e foram decisivas nos resultados positivos. Arthur e Rodinei participaram de todas as vitórias, Everton Cebolinha brilhou em dois jogos, e Coutinho, em sua estreia, iniciou a jogada do gol da vitória sobre o São Paulo no Morumbis. Com essa nova dinâmica, o Santos divide com o Flamengo a liderança do returno do Brasileirão, com 20 pontos, e alimenta o sonho de uma vaga na Libertadores de 2027, um feito que não acontece há cinco anos.
O Histórico de Retornos: De “Batalhas” a “Cenário dos Sonhos”
A trajetória de Neymar desde seu retorno ao Santos em 2025 foi marcada por momentos de grande responsabilidade e desafios. Naquele ano, suas três ausências por lesão sempre o fizeram voltar a uma equipe em dificuldades. Em 13 de abril de 2025, ele enfrentou o Fluminense com o time ainda sem vencer no Brasileirão. Em maio, após 36 dias afastado, teve um retorno amargo com a eliminação na Copa do Brasil para o CRB nos pênaltis. Naquela ocasião, com o Peixe na penúltima colocação do Brasileirão, Neymar desabafou:
“Eu sei que, comigo dentro de campo, as coisas são diferentes. Você viu que, em 20 e 25 minutos, eu posso fazer a diferença. Eu sei que posso ajudar meus companheiros. Primeiro jogo que eu voltei depois de um longo tempo. Mas também não pode depender só de mim. Todo mundo sabe da situação em que a gente está, e a gente precisa de todos os jogadores para sair desta situação”, afirmou o atacante, evidenciando o peso que carregava.
Ainda em 2025, Neymar foi o grande protagonista na fuga do rebaixamento do Santos. Após mais uma lesão na coxa direita, que o tirou por 48 dias, ele retornou na 31ª rodada, com o time na 16ª posição. Com cinco gols e uma assistência em seis jogos, liderou o Peixe a quatro vitórias que garantiram uma vaga na Copa Sul-Americana, atuando até mesmo no sacrifício, adiando uma artroscopia no joelho esquerdo para ajudar o clube. Na penúltima rodada, brilhou ao marcar os três gols na vitória por 3 a 0 sobre o Juventude, em Caxias do Sul.
Em 2026, após o procedimento cirúrgico, o jogador só estreou em 15 de fevereiro. Apesar da queda nas quartas de final do Paulistão, Neymar faria os dois gols da primeira vitória do Santos no Campeonato Brasileiro, contra o Vasco. Ele ainda entraria em campo mais sete vezes na competição antes de novo problema físico às vésperas da Copa do Mundo. Seu último retorno antes da atual lesão ocorreu em 25 de julho, no empate com a lanterna Chapecoense, na abertura do returno. Após uma derrota para o Botafogo, o camisa 10 foi essencial na reação do time, incluindo avanços em Copa do Brasil e Sul-Americana, antes de sofrer a lesão muscular diante do Palmeiras que o afastou até agora.
Agora, ao se preparar para enfrentar o Flamengo, Neymar encontra um Santos robusto, que soube se reinventar e prosperar em sua ausência. A expectativa é que, em vez de ser o único “bombeiro”, ele seja a peça-chave que impulsionará o time rumo à tão sonhada vaga na Libertadores, encerrando um jejum de cinco anos e consolidando uma nova era de sucesso na Vila Belmiro.





