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Método da Lava Jato: Investigação no São Paulo FC Aponta

Método da lava jato: investigação no são paulo fc aponta

Uma investigação da Polícia Civil de São Paulo apura um suposto esquema de desvio de verbas no São Paulo Futebol Clube, com foco em saques de R$ 11 milhões em dinheiro vivo e depósitos considerados atípicos na conta do presidente Júlio Casares. As movimentações financeiras, reportadas pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), levantaram suspeitas por utilizarem métodos que dificultam o rastreamento do dinheiro, comparáveis a técnicas já observadas em grandes operações como a Lava Jato.

O enigma dos saques em espécie

Entre 2021 e 2025, o São Paulo FC realizou 35 operações de saque em boca de caixa, totalizando aproximadamente R$ 11 milhões. O Coaf classificou essas movimentações como atípicas, pois saques em espécie, ao contrário de transferências eletrônicas, interrompem a trilha de auditoria digital, tornando o rastro do dinheiro invisível para sistemas de fiscalização. Essa prática impede a identificação do beneficiário final e a comprovação do destino econômico real das verbas.

A Polícia Civil também estranhou o fato de o clube ter deixado de discriminar o responsável pelos saques após o início das operações, passando a contratar uma empresa de segurança para retirar o dinheiro, utilizando carros-fortes em 28 das 35 retiradas. O advogado criminalista Carlo Luchione, vice-presidente do Instituto Brasileiro Compliance, ressalta que a utilização de carros-fortes já foi identificada em operações como a Lava Jato como um método comum na lavagem de dinheiro. “Embora seja identificado documentalmente quem autorizou a retirada, na identificação de quem recebeu os valores — muitas vezes através de terceiros como empresas laranjas —, transportes para outras instituições e novamente retiradas por novos laranjas, dificulta em muito o rastro documental ou digital”, explica Luchione.

A defesa do clube e os números do futebol

Os advogados do São Paulo afirmam que os valores foram destinados a “compromissos rotineiros do futebol que exigem dinheiro em espécie”, como premiações a jogadores (bicho), arbitragem e direitos de imagem. O clube contratou um perito contador para elaborar um laudo detalhado que será apresentado à polícia, visando comprovar o destino de cada saque. O advogado Pedro Ivo Gricoli Iokoi, que representa o São Paulo, defende a necessidade dos carros-fortes pela localização do clube, próximo a Paraisópolis, um dos bairros mais perigosos de São Paulo, justificando a medida por segurança.

Ainda que o clube alegue a rotina dos gastos, a investigação aponta que não havia um saque para cada partida. No período analisado (janeiro de 2021 a novembro de 2025), o time profissional masculino do São Paulo fez 361 jogos, totalizando 537 partidas se consideradas as do feminino. O ano de 2024 foi o que registrou mais saques, com 11 retiradas.

Presidente Júlio Casares também sob investigação

Além das movimentações do clube, o inquérito da Polícia Civil também analisa depósitos de R$ 1,5 milhão em dinheiro vivo na conta do presidente Júlio Casares, sem origem detalhada. O Coaf revelou que o montante foi depositado em 132 operações entre janeiro de 2023 e maio de 2025. A suspeita recai sobre a incompatibilidade da quantia com o salário de Casares como presidente do São Paulo, que é de R$ 27,5 mil mensais. No período investigado, sua remuneração total seria de aproximadamente R$ 617,5 mil.

A investigação notou que Casares chegou a receber 12 depósitos em um único dia, totalizando R$ 49 mil. Outras operações próximas ao limite de notificação automática do Coaf (R$ 50 mil) sugerem uma prática conhecida como

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