A ambição de conquistar a Copa do Mundo, outrora um sonho distante, parece mais palpável do que nunca para a seleção japonesa. Há mais de duas décadas, a JFA (Associação Japonesa de Futebol) estabeleceu um projeto audacioso: erguer a taça mundial até 2050. No entanto, a evolução recente e surpreendente da equipe sugere que esse objetivo pode ser antecipado. Para compreender a magnitude dessa jornada, é essencial mergulhar na história e nos passos que moldaram o futebol japonês e asiático.
A Semente do Futebol Japonês
A história da seleção japonesa em Copas do Mundo começou oficialmente em 1998. Contudo, antes dessa estreia, o futebol no Japão passou por um longo e meticuloso processo de construção. As primeiras eras eram dominadas por ligas universitárias, que ainda hoje servem como celeiro de talentos, e associações com grandes marcas financeiramente poderosas. Apesar disso, o investimento no futebol era modesto, perdendo terreno para esportes mais populares no país, como o beisebol.
Um dos pilares dessa evolução inicial foi a Copa do Imperador, disputada desde 1921 e existente até os dias atuais. No cenário asiático, a disputa por vagas na Copa do Mundo era ainda mais acirrada, com Coreia do Sul e Irã se destacando como potências regionais. Os sul-coreanos alcançaram seu primeiro Mundial em 1954, e os iranianos em 1978, vinte anos antes da estreia japonesa.
O primeiro grande marco internacional para o Japão veio nos Jogos Olímpicos da Cidade do México, em 1968. Surpreendentemente, os nipônicos conquistaram a medalha de bronze, um feito que chocou o mundo do futebol. Na ocasião, a equipe venceu a Nigéria, empatou com Brasil e Espanha, e garantiu o bronze ao bater o México por 2 a 0, após ser superado pela Hungria, que viria a ser a campeã olímpica.
A Era Profissional e a Estreia Mundial
Um divisor de águas para o futebol japonês foi a criação da J-League no início da década de 1990. A principal competição nacional, nos moldes atuais, surgiu com o propósito de profissionalizar o esporte e atrair talentos globais. Foi nesse período que o ídolo brasileiro Zico chegou ao Japão para jogar no Sumitomo Metals, clube que mais tarde se tornaria o Kashima Antlers, deixando um legado duradouro.
Em 1998, enquanto o Brasil amargava a derrota na final da Copa da França, o Japão celebrava sua primeira classificação para um Mundial. Mesmo sem somar pontos e sendo eliminado na fase de grupos, o país fez história ao se apresentar ao mundo na competição mais prestigiada do esporte.
Quatro anos depois, em 2002, o Japão teve a oportunidade inédita de sediar a Copa do Mundo, em conjunto com a Coreia do Sul. A seleção japonesa brilhou, alcançando pela primeira vez as oitavas de final. O torneio marcou a primeira vitória japonesa em Copas, um 1 a 0 sobre a Rússia, com gol de Junichi Inamoto. O sonho foi interrompido nas oitavas, com uma dolorosa derrota por 1 a 0 para a Turquia, que terminaria em terceiro lugar.
O Sonho de 2050: Um Plano Ambicioso
Em 2005, a JFA documentou oficialmente seu plano de ser campeã mundial até 2050. A estratégia se baseava em três pilares fundamentais: aprender com o futebol europeu através do intercâmbio de jogadores, investir maciçamente nas categorias de base e no futebol nacional, e formar treinadores de alto nível.
A Copa do Mundo de 2006, sob o comando de Zico e com Shunsuke Nakamura como destaque, prometia muito, mas resultou em decepção. Em um grupo com Brasil, Croácia e Austrália, o Japão foi eliminado na última posição, perdendo de 4 a 1 para o Brasil de Ronaldo Fenômeno. Já em 2010, na África do Sul, a geração de Keisuke Honda mostrou sua força. Após vencer Camarões e Dinamarca, e perder apenas para a vice-campeã Holanda na fase de grupos, o Japão chegou às oitavas. O sonho das quartas de final foi frustrado nos pênaltis contra o Paraguai, após um 0 a 0, com Yuichi Komano carimbando o travessão.
A Copa do Mundo de 2014, no Brasil, viu uma geração japonesa mais experiente, mas o desempenho ficou abaixo do esperado. Cotada para avançar em um grupo com Colômbia, Grécia e Costa do Marfim, a equipe somou apenas um ponto e foi eliminada precocemente, com a goleada de 4 a 1 para a Colômbia sendo um dos momentos mais marcantes.
Em 2018, na Rússia, o Japão surpreendeu. Em um grupo com Colômbia, Senegal e Polônia, a seleção avançou em segundo lugar, após uma vitória de 2 a 1 sobre a Colômbia. Nas oitavas, contra a favorita Bélgica, os Samurais Azuis abriram um 2 a 0 com Haraguchi e Inui, mas sofreram uma virada histórica de 3 a 2, dando adeus ao torneio de forma heroica.
A edição de 2022, no Catar, consolidou o Japão como uma força a ser respeitada. A equipe liderou o




