A investigação sobre o ex-presidente do São Paulo Futebol Clube, Julio Casares, ganhou um novo e significativo avanço nesta quinta-feira (9). Testemunhas ouvidas pela Força-Tarefa da Polícia Civil e do Ministério Público confirmaram saques milionários realizados por Casares com recursos provenientes diretamente do clube. A informação, inicialmente divulgada pelo Ge, foi corroborada pelo iG.
Duas testemunhas-chave, que colaboravam diretamente com o ex-dirigente, detalharam o funcionamento de um suposto esquema de retiradas mensais em dinheiro vivo, com valores que podiam atingir R$ 100 mil por vez, sempre entregues em envelopes ou sacolas. Em alguns momentos, o sistema de transporte de dinheiro teria chegado a envolver a presença de um carro-forte nas dependências do Morumbis.
Os depoimentos, colhidos ao longo da investigação ainda em curso, apontam que as retiradas aconteciam com regularidade durante a gestão de Casares no clube. A Polícia suspeita que as irregularidades persistiram ao longo de todo o período em que o ex-presidente esteve no comando, entre 2021 e 2024.
As práticas investigadas podem configurar crimes como furto qualificado e possível lavagem de dinheiro, de acordo com as autoridades. O inquérito encontra-se em fase final e a expectativa é que seja encaminhado à Justiça nos próximos meses. O prejuízo estimado aos cofres do São Paulo pode chegar a aproximadamente R$ 11 milhões.
Em nota enviada ao Ge, a defesa de Julio Casares negou qualquer ilegalidade, afirmando que todas as movimentações financeiras estão devidamente registradas na Contadoria do São Paulo. O ex-presidente alega que os valores em dinheiro vivo estão vinculados a pelo menos 172 partidas disputadas pelo clube em diversas competições durante sua gestão. A reportagem do iG tentou contato com os advogados de Casares, mas não obteve resposta até o momento.
Outros Casos Sob Apuração
A Força-Tarefa conduz um total de três inquéritos policiais envolvendo Casares, nos quais o São Paulo FC é tratado como vítima. Além dos saques milionários, depósitos em dinheiro de R$ 1,5 milhão em contas do ex-dirigente também estão sendo minuciosamente analisados.
Escândalo do Camarotes e Contas Reprovadas
Outro ponto de apuração é a participação do ex-presidente no chamado “esquema do camarote do Morumbis”, um caso que envolveu sua ex-mulher, Mara Casares, e Douglas Schwartzmann, ex-diretor-adjunto das categorias de base do clube.
Em março deste ano, o Conselho Deliberativo do São Paulo já havia reprovado as contas de 2023 da gestão de Casares, citando a falta de justificativas para uma parte significativa dos saques realizados. Um relatório interno apontou que quase R$ 7 milhões não possuíam explicação ou comprovação de destino.
A Renúncia de Casares
No final de janeiro deste ano, apenas cinco dias após ter seu afastamento imposto pelo Conselho Deliberativo, Julio Casares renunciou ao cargo de presidente do São Paulo. A decisão foi anunciada por meio de uma carta aberta aos torcedores, publicada em suas redes sociais, após um pedido de impeachment.




