O Conselho Deliberativo do São Paulo Futebol Clube iniciou, nesta terça-feira (29), a votação de um novo contrato com a Ticketmaster para a gestão da venda de ingressos do clube. Contudo, a transição tem gerado um intenso atrito nos bastidores, transformando o programa de sócio-torcedor em uma disputa jurídica e financeira. A empresa vencedora do processo também recebeu a atribuição de gerenciar a base de associados, o que provocou uma forte reação da Feng, atual gestora do serviço tricolor.
O Ponto Central da Controvérsia
A Feng formalizou uma notificação à presidência, diretorias e conselheiros são-paulinos na última sexta-feira. A prestadora de serviço alega que o São Paulo ignorou cláusulas contratuais essenciais ao não oferecer a oportunidade de equiparação de valores. Segundo a companhia, ela detém exclusividade na gestão estratégica e direito de preferência para igualar qualquer oferta concorrente antes de uma eventual troca de fornecedor, o que não teria sido respeitado pelo clube.
A Visão do São Paulo FC
Por outro lado, o departamento jurídico do São Paulo contesta veementemente qualquer infração aos termos pactuados. Após consultar pareceres jurídicos externos, a diretoria argumenta que o direito de preferência da Feng seria válido apenas em caso de renovação contratual ao término natural do vínculo, e não em uma substituição de fornecedor por resilição antecipada. A diretora jurídica do clube, Érica Duarte, afirmou que “o entendimento do Departamento Jurídico é de que não há violação”, explicando que a cláusula de preferência se refere apenas à renovação, e que o encerramento antecipado prevê um aviso prévio de 180 dias com cumprimento integral das obrigações contratuais.
Disputa Financeira Milionária
A divergência se estende também aos valores financeiros da rescisão unilateral. A regra contratual exige o cumprimento de um aviso prévio mínimo de 180 dias e o pagamento de uma multa correspondente a 15% da receita bruta do programa durante esse período. O São Paulo estima esse montante em R$ 3,7 milhões. No entanto, interlocutores da Feng calculam cifras de R$ 8 milhões para uma solução sem litígios, alertando que a cobrança pode alcançar dezenas de milhões de reais caso a empresa ingresse com ações de indenização por descumprimento do direito de preferência.
Votação em Andamento no Morumbi
Apesar das notificações e da tensão comercial, o São Paulo manteve o rito político no Morumbi. O Conselho Deliberativo dividiu a votação da parceria com a Ticketmaster em três blocos independentes, que ocorrem entre esta terça e quarta-feira. Os conselheiros avaliarão separadamente o contrato principal de bilheteria e camarote, a inclusão do sócio-torcedor no escopo da nova operadora, e a aprovação formal do pagamento da multa rescisória. O resultado das urnas definirá os próximos passos da operação e o tamanho do embate financeiro do tricolor com sua antiga parceira.





