O Conselho Deliberativo do São Paulo Futebol Clube marcou para o dia 14 de janeiro, às 18h30, no MorumBis, a votação do processo de impeachment contra o presidente Júlio Casares. A convocação para a reunião extraordinária foi oficializada pelo presidente do órgão, Olten Ayres de Abreu Júnior, na noite desta terça-feira, colocando em pauta o futuro da gestão do mandatário tricolor em meio a uma série de acusações e investigações.
O Processo de Votação e os Próximos Passos
Durante o encontro, Júlio Casares terá a oportunidade de apresentar sua defesa em relação às acusações formalizadas no requerimento que deu origem ao processo. Após a manifestação do presidente, os conselheiros procederão com a votação, que será secreta e exclusivamente presencial. Para que o afastamento provisório de Casares seja aprovado, é necessária uma maioria qualificada de dois terços dos votos do Conselho Deliberativo, o que equivale a 177 votos favoráveis.
Caso o impeachment seja aprovado nesta instância, uma Assembleia Geral de sócios do clube deverá ser convocada em até 30 dias para ratificar a decisão do Conselho. Nesta segunda etapa, a aprovação exige apenas maioria simples. Se Casares for afastado tanto pelo Conselho quanto pela Assembleia, ele será banido do clube. Em caso de renúncia, no entanto, ele manteria sua posição no Conselho Consultivo, cenário similar ao vivido pelo ex-presidente Carlos Miguel Aidar em 2015.
As Acusações que Pesam Contra o Presidente
O pedido de impeachment, que obteve 57 assinaturas (sete a mais que o mínimo exigido), baseia-se em diversas acusações contra Júlio Casares. Entre elas, destacam-se a má gestão orçamentária do clube, a suposta venda de atletas por valores abaixo do mercado e o uso considerado ilegal de um camarote no MorumBis. Este último, o “Caso Camarote do MorumBis”, ganhou notoriedade após o vazamento de um áudio revelando um esquema clandestino de comercialização do espaço em noites de shows.
Mara Casares e Douglas Schwartzmann, diretores mencionados na gravação, já se afastaram de seus cargos. O Ministério Público de São Paulo solicitou a abertura de um inquérito policial, enquanto o próprio São Paulo iniciou sindicâncias internas e externas para apurar os fatos.
Cenário Político e Desafios para a Oposição
Apesar do desgaste político enfrentado por Júlio Casares, a oposição reconhece que será um desafio alcançar os 177 votos necessários para o afastamento. Um dos fatores apontados é a data da reunião, em janeiro, período em que muitos conselheiros podem estar ausentes de São Paulo. O presidente do Conselho, Olten Ayres, cumpriu o prazo de 30 dias para a convocação, que se encerrava no dia 23.
Adicionalmente, Casares recebeu respaldo do Conselho Consultivo nesta terça-feira, que emitiu um parecer contrário ao impeachment. Embora não seja determinante, o documento serve como um subsídio para a discussão e a formação dos votos. A saída de Carlos Belmonte, que fragilizou a coalizão que sustentava a gestão de Casares, não impediu que o ex-diretor, por exemplo, aprovasse o orçamento para 2026, indicando complexidade no cenário político interno.
Investigações Policiais Aprofundam a Crise
A instabilidade na gestão são-paulina foi intensificada por investigações paralelas. A Polícia Civil de São Paulo passou a investigar diretores do clube por supostos desvios de verba em vendas de atletas. As apurações focam em 35 saques em dinheiro vivo das contas do São Paulo, totalizando R$ 11 milhões, que são alvo de inquérito.
Esses escândalos criaram um ambiente de tensão e permitiram que a oposição se fortalecesse, visando não apenas o afastamento de Casares, mas também a eleição de 2026. A defesa de Júlio Casares, representada pelos advogados Daniel Bialski e Bruno Borragine, declarou que “todas as movimentações financeiras de Júlio, contidas nos relatórios do Coaf, possuem origem lícita e legítima, com lastro compatível com a evolução de sua capacidade financeira”, e que “a origem do lastro de tais movimentações serão esclarecidas ao longo da investigação para rebater qualquer ilação”, reforçando que ainda não teve acesso ao inquérito policial.





