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Saques ‘Anônimos’ de R$ 11 Milhões no São Paulo Acendem

Saques ‘anônimos’ de r$ 11 milhões no são paulo acendem

A Polícia Civil de São Paulo intensifica a investigação sobre um suposto esquema de desvio de verbas no São Paulo Futebol Clube, com um dos pontos mais críticos sendo os saques classificados como “anônimos” pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). O relatório do Coaf detalha 35 operações consideradas atípicas, totalizando cerca de R$ 11 milhões sacados das contas do clube entre janeiro de 2021 e novembro de 2025.

Saques Misteriosos e a Quebra de Rastreabilidade

Entre as operações sob escrutínio, cinco se destacam por não terem sido realizadas por uma empresa terceirizada ou funcionário do São Paulo, mas simplesmente pela “agremiação São Paulo”. Segundo o Coaf, essa prática configura uma “quebra irreparável na trilha de auditoria”, impedindo a identificação de quem efetivamente recebeu os valores. A análise aponta que, sendo a agremiação um “ente abstrato”, a ação de saque deveria ter sido executada por uma pessoa física devidamente autorizada, cuja identidade foi suprimida ou não registrada.

Esses saques sem identificação ocorreram entre 12 de março de 2021 e 17 de março de 2022, em contas do Bradesco. Os bancos envolvidos, incluindo o Banco Rendimento, alertaram para a “incapacidade de assegurar a real destinação econômica desses valores”, reiterando a suspeita de que a opção pelo saque em espécie e a escolha de agências específicas poderiam indicar uma “intenção deliberada de interromper o rastro financeiro”.

A Evolução das Operações Atípicas

As movimentações financeiras investigadas mostram uma progressão. Em 2021, duas operações, somando R$ 600 mil, foram feitas pelo gerente financeiro José Luiz da Silva no Banco Rendimento. O Coaf questiona o uso deste banco, que possui estrutura física de atendimento restrita, sugerindo que as transações demandaram “deslocamento específico à sede da instituição ou agendamento prévio diferenciado”.

Após os saques “anônimos”, o clube passou a utilizar carros-forte da empresa TBForte em 28 operações. Embora essa medida possa ter justificativa operacional de segurança, o inquérito aponta que ela “introduz uma camada de impessoalidade” e gera “perda de pessoalidade imediata” para o compliance.

A Defesa do São Paulo e o Prazo da Polícia

O São Paulo FC, por meio de seus advogados, alega que a não identificação nos saques se trata de “erros do banco” e que os valores foram destinados a “compromissos rotineiros do futebol que exigem dinheiro em espécie”. O clube contratou um assistente técnico (perito contador) para elaborar um laudo detalhado, prometendo comprovar o destino de cada saque à autoridade policial. O prazo estipulado pela polícia para a apresentação desse relatório encerra-se em 26 de janeiro.

A investigação, conduzida pela 3ª Divisão de Investigações sobre Crimes contra a Administração e Combate à Lavagem de Dinheiro (Dicca), considera o período de janeiro de 2021 a novembro de 2025. Nesse intervalo, o valor médio de saques por partida, considerando jogos masculinos e femininos, seria de aproximadamente R$ 20,48 mil, embora o Coaf ressalte que os saques não eram feitos a cada jogo, com 2024 registrando o maior número de retiradas.

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