A quinta-feira (29) foi de grande agitação no Rio de Janeiro, com a recepção calorosa a Lucas Paquetá, que desembarcou no Aeroporto do Galeão para assinar seu retorno ao Flamengo. O “Cria do Ninho” volta para casa após sete anos de sucesso na Europa, passando por Milan, Lyon e West Ham. A contratação, avaliada em 42 milhões de euros (aproximadamente R$ 260 milhões), não só marca o reencontro do jogador com sua torcida, mas também o torna o reforço mais caro da história do futebol brasileiro, um feito que ressalta o status de respeito conquistado pelo meia.
Apesar do valor exorbitante, o retorno de craques para os clubes que os revelaram está longe de ser uma novidade no cenário nacional. Historicamente, o futebol brasileiro tem sido palco de grandes regressos, mesmo com a disparidade financeira em relação ao Velho Continente. Clubes brasileiros têm encontrado maneiras de promover essas voltas, muitas vezes sem a necessidade de grandes desembolsos, utilizando o fator emocional e o desejo dos atletas de jogar novamente em casa.
O Fenômeno dos Grandes Retornos: De Zico aos Dias Atuais
O Flamengo, por exemplo, já havia protagonizado um retorno emblemático em 1985, quando Zico voltou após dois anos na Udinese, na Itália. A configuração do futebol mundial era outra, mas a emoção de ver um ídolo de volta era a mesma. Hoje, a dinâmica é diferente, mas a capacidade de atrair grandes nomes permanece, como veremos nos exemplos a seguir.
Retornos de Peso: Neymar, Marcelo e Kaká Reafirmam Legados
Antes de Paquetá, a transferência de Neymar para o Santos em 2025 já havia parado o Brasil. Após uma passagem de muito sucesso por Barcelona e PSG, onde foi considerado um dos melhores do mundo, o “Menino da Vila” retornou ao Peixe. Apesar de um primeiro ano condicionado por lesões, a renovação de seu contrato por mais um ano alimenta a expectativa de que ele chegue com “sangue nos olhos” para a próxima temporada, mirando a Copa do Mundo.
Marcelo, por sua vez, não teve tempo de construir uma grande história no Fluminense antes de ser contratado pelo Real Madrid. No gigante espanhol, tornou-se uma lenda, considerado por muitos o melhor lateral-esquerdo da história. Após 16 temporadas e uma breve passagem pelo Olympiacos, seu retorno ao Tricolor foi curto, mas extremamente eficiente: de 2023 a meados de 2024, ele foi peça fundamental na conquista inédita da Libertadores pelo clube.
Kaká deixou o São Paulo em 2003, aos 21 anos, mas já havia deixado saudades. Sua trajetória na Europa foi brilhante, com destaque para o Milan e a conquista da Bola de Ouro. Em 2014, após 11 anos, o meia acertou seu retorno ao Tricolor Paulista por empréstimo do Orlando City, para uma temporada de despedida. Apesar de não ter o mesmo brilho de outrora, Kaká foi importante na campanha do vice-campeonato brasileiro.
Craques que Marcaram Época: Alex, Adriano e a Busca por Novas Histórias
Revelado no Coritiba, Alex construiu sua idolatria no Palmeiras, Cruzeiro e, principalmente, no Fenerbahçe, na Turquia. Em 2013, o “Maestro” decidiu que era hora de tentar conquistar o mesmo sentimento no clube que o revelou. Em duas temporadas no Couto Pereira antes de se aposentar, Alex foi fundamental para manter a equipe na Série A do Brasileiro.
Adriano, o “Imperador”, era uma das maiores promessas do Flamengo no início do século. Após uma ascensão meteórica na Inter de Milão, dificuldades pessoais o trouxeram de volta ao Brasil. Em 2009, seu retorno ao Rubro-Negro foi triunfal: liderou a equipe ao título do Brasileirão, sendo o artilheiro da competição e encerrando um jejum de 17 anos do clube no torneio.
Philippe Coutinho, o “Pequeno Mago”, saiu do Vasco muito cedo, vendido à Inter de Milão aos 18 anos. Após brilhar no Liverpool e ser contratado a peso de ouro pelo Barcelona, uma queda brusca de desempenho antecipou seu retorno. No meio de 2024, Coutinho chegou ao Cruz-Maltino sob grande festa da torcida, e agora busca marcar de vez seu nome na história do clube que o revelou.





