A gestão de Júlio Casares na presidência do São Paulo Futebol Clube enfrenta seu momento mais crítico. Com a votação do pedido de impeachment agendada para o próximo dia 14 de janeiro no MorumBis, o dirigente viu seu apoio desmoronar, com cerca de 125 integrantes do Conselho Deliberativo abandonando a coalizão de situação. Este movimento, que inclui até mesmo membros do grupo Participação, do qual Casares faz parte, não garante votos a favor do impeachment, mas insufla o otimismo da oposição, que articula intensamente para aprovar o afastamento. Fontes próximas ao caso indicam que, mesmo que o impeachment não seja aprovado, a administração de Casares pode se tornar meramente “figurativa” diante do enfraquecimento político.
A Votação e a Disputa pelos Números
A data-chave para o futuro de Casares foi definida pelo presidente do Conselho Deliberativo, Olten Ayres Abreu Júnior, logo após um parecer contrário ao afastamento emitido pelo Conselho Consultivo. A mobilização da oposição agora se estende à forma de votação, pleiteando a modalidade online para garantir a participação de conselheiros em período de férias, como Vinícius Pinotti, cotado como candidato da oposição e que já declarou voto a favor do afastamento. Pinotti, em nota, defende a medida como necessária para “garantir a correta apuração dos fatos, a instabilidade institucional e o respeito às instâncias do clube”, ressaltando que o afastamento não representa pré-julgamento.
Um ponto de discórdia crucial é o número de votos necessários para a destituição. Enquanto o artigo 112 do Estatuto do São Paulo prevê dois terços (171 votos) dos 255 conselheiros, o artigo 58 aponta para 75% de aprovação, elevando a exigência para 191 votos. Casares e sua defesa almejam que este último número seja o considerado, tornando o processo de afastamento ainda mais complexo.
Escândalos que Fragilizam a Gestão
O pedido de impeachment, assinado por 57 conselheiros, elenca acusações de má gestão orçamentária, venda de atletas por valores abaixo do mercado e uso ilegal de camarote. A crise se aprofundou com o vazamento de um áudio revelando um esquema clandestino de comercialização de um camarote no MorumBis, conhecido como ‘Sala Presidencial’, durante shows. Após o incidente, Mara Casares e Douglas Schawrtzmann, diretores flagrados na gravação, afastaram-se de seus cargos. O Ministério Público de São Paulo pediu a abertura de inquérito policial, e o clube iniciou sindicâncias internas e externas para apuração.
Paralelamente, a Polícia Civil de São Paulo investiga diretores por supostos desvios de verba em vendas de atletas. A investigação foca em 35 saques em dinheiro vivo das contas do São Paulo, totalizando R$ 11 milhões, o que adiciona uma camada de gravidade à instabilidade institucional e fortalece a oposição em seu intento de afastar Casares e mirar nas eleições de 2026.
A Defesa de Casares e os Próximos Passos
A defesa de Júlio Casares, representada pelos advogados Daniel Bialski e Bruno Borragine, afirma que “todas as movimentações financeiras de Júlio, contidas nos relatórios do Coaf, possuem origem lícita e legítima, com lastro compatível com a evolução de sua capacidade financeira”. Os advogados destacam a carreira do presidente na iniciativa privada antes de assumir o clube, com boa remuneração, e asseguram que a origem das movimentações será esclarecida ao longo da investigação, reiterando que ainda não tiveram acesso ao inquérito policial.
No dia da reunião, uma forte mobilização de torcidas organizadas do São Paulo é esperada do lado de fora do MorumBis. Casares terá a oportunidade de apresentar sua defesa perante o Conselho. Caso o impeachment seja aprovado nesta instância, uma Assembleia Geral de sócios do clube deverá ser instituída em até 30 dias para ratificar a decisão por maioria simples. Um afastamento resultaria no banimento do presidente do clube e do Conselho Consultivo, situação diferente de uma eventual renúncia.




