O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) expediu um novo mandado de prisão contra o ex-goleiro Bruno Fernandes, conhecido por sua carreira no Flamengo e por sua condenação pela morte de Eliza Samúdio, ocorrida em 2010. A decisão judicial revoga o livramento condicional que havia sido concedido ao ex-atleta em 2023, determinando seu retorno ao regime fechado.
De acordo com o despacho do juiz Rafael Estrela Nóbrega, responsável pelo caso, Bruno descumpriu em duas oportunidades as normas estabelecidas para o regime de liberdade condicional durante o mês de fevereiro deste ano. As violações foram consideradas um “descaso” com o benefício concedido, conforme destacou o magistrado.
Viagens Sem Autorização e Presença em Jogo
Entre as infrações apontadas pela Justiça, está a viagem do ex-goleiro ao Estado do Acre, realizada apenas quatro dias após a efetivação de seu livramento condicional. A viagem, que não teve prévia autorização judicial, violou diretamente as determinações da decisão que concedeu o benefício. No Acre, Bruno havia sido contratado pelo Vasco-AC para disputar a Copa do Brasil, mas sua passagem pelo clube durou pouco, com o time sendo eliminado e o contrato rescindido.
Outra violação ocorreu em 4 de fevereiro, quando Bruno foi flagrado assistindo a uma partida do Flamengo contra o Internacional, no Maracanã, pela quarta rodada do Campeonato Brasileiro. Segundo a Justiça, o ex-jogador deveria estar em recolhimento durante o período noturno, o que não foi cumprido ao comparecer ao evento.
A Justificativa da Decisão Judicial
O juiz Rafael Estrela Nóbrega enfatizou a gravidade das condutas do apenado. “No que concerne ao descumprimento das condições do Livramento Condicional, de fato, as condutas do apenado devem ser encaradas como descaso no cumprimento do benefício que lhe foi concedido”, afirmou o juiz. Ele acrescentou que o ex-goleiro tinha plena ciência de todas as condições impostas para o livramento, não podendo alegar desconhecimento dos requisitos.
“Ressalte-se que o apenado quem deve se adequar às regras de cumprimento da pena, seja em qual estágio ela esteja, e não o contrário”, completou o magistrado, reforçando a responsabilidade do condenado em seguir as normas estabelecidas pela Justiça.
Repercussão e Histórico do Caso
A informação sobre o novo mandado de prisão foi inicialmente divulgada pelo jornal O Globo e confirmada por outras mídias. Após a repercussão do caso, Bruno apagou seu perfil nas redes sociais. A defesa do ex-jogador ainda não se manifestou publicamente sobre a decisão.
Bruno Fernandes foi condenado a 23 anos e um mês de prisão por homicídio, ocultação de cadáver, sequestro e cárcere privado de Eliza Samúdio, cujo corpo nunca foi encontrado. O crime, que chocou o país, ocorreu em 2010. Em 2018, ele progrediu para o regime semiaberto e chegou a atuar por alguns times menores. Em janeiro de 2023, obteve a liberdade condicional, mas tentativas de retorno ao futebol profissional e amador enfrentaram grande rejeição de torcedores e patrocinadores.





